Europeias: Marisa Matias recusa lições de Durão Barroso sobre combate ao populismo

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A cabeça de lista do BE às eleições europeias, Marisa Matias, recusou-se na quarta-feira a aceitar lições de Durão Barroso sobre como combater o populismo uma vez que este fenómeno se alimenta de políticas como as do antigo presidente da Comissão Europeia.

Marisa Matias, no jantar-comício da campanha às europeias do BE, em Leiria, começou o seu discurso por lamentar o acidente rodoviário que envolveu quarta-feira Pedro Santana Lopes e Paulo Sande, do Aliança, deixando os votos de “rápida recuperação” ao líder e cabeça de lista daquele partido.
A cabeça de lista do BE explicou que o dia foi dedicado à memória quando ressurgem na Europa “as sombras do fascismo”, instando ao “romper com este modelo de União Europeia” porque “a extrema-direita não se combate com o grande bloco central dos mesmos, com as mesmas políticas, para dar garantia de que tudo ficará exatamente na mesma”.
“Durão Barroso andou 10 anos a prometer que regulava o sistema financeiro. Disso não vimos rigorosamente nada. Agora o que vemos é Durão Barroso a dar aulas de como se deve combater o populismo. O populismo alimenta-se e cresce com as políticas iguais às de Durão Barroso”, criticou.
Por isso, Marisa Matias rejeitou lições do antigo presidente da Comissão Europeia, que a única coisa que fez durante os seu mandato foi conseguir “chegar ao pior banco do mundo”.
“Para combater a extrema-direita o que temos de apresentar é uma alternativa económica e social. A resposta à extrema-direita passa mesmo por mais justiça social. Não é Durão Barroso que nós diz como é que vai ser”, atirou.

Fernando Rosas pergunta “onde está o PS de esquerda”
O fundador do BE Fernando Rosas questionou “onde está o PS de esquerda”, rejeitando uma “espécie de sopa” entre esquerda, direita e centro nas questões cruciais que “exigem uma tomada de posição” sobre o lado que se escolhe. No jantar-comício da campanha do BE para as eleições europeias, o fundador Fernando Rosas subiu ao palco para discursar – antes da cabeça de lista, Marisa Matias, e da líder bloquista, Catarina Martins -, tendo apontado ao PS nos recuos e “cambalhotas” ao longo da legislatura sobre professores, energia, taxa sobre especulação imobiliária ou PPP na saúde.
“Onde é que está o PS de esquerda? Onde é que está a esquerda do PS? Onde é que se situam as forças dentro do PS que querem mudar verdadeiramente a situação do país e, também, a situação na Europa?”, questionou, em tom crítico.
Na visão de Rosas, os socialistas, não estão dispostos “a enfrentar nenhuma luta de fundo e de princípio acerca do sentido e do significado das políticas da Europa”.
“Eu gostava de dizer que não me parece possível nem aceitável que em relação a questões cruciais da nossa estrutura económica, da nossa vida, dos direitos do trabalho, não me parece possível haver alguém que tem soluções positivas para quem trabalha, para a população feitas de uma espécie de sopa entre a esquerda, a direita, o centro, o alto e o baixo”, condenou.
Para o fundador bloquista, “há questões cruciais que exigem uma tomada de posição”.
“Acerca da saúde pública, do SNS, dos direitos do trabalho, ou se está de um lado ou se está do outro”, observou, deixando claro que os bloquistas não tem dúvidas sobre o seu posicionamento.
Mas Rosas também apelou ao voto no dia 26 de maio e foi o primeiro a pôr nomes na meta eleitoral do partido para as europeias.
“Vamos pôr a Marisa e o Zé Gusmão no Parlamento Europeu”, pediu, por três vezes, traçando assim o objetivo de eleger dois eurodeputados.
Nas europeias de 2014, o BE perdeu dois eurodeputados e conseguiu apenas eleger Marisa Matias.

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