Faial à Mesa promove produtos locais

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Decorreu no passado sábado, no Mercado Municipal da Horta, o primeiro “Faial à mesa”, uma iniciativa conjunta da Pomar do Atlântico, Associação de Jovens Agricultores do Faial (JAGRIFA), Associação de Produtores Espécies Demersais dos Açores (APEDA) e da Cook Faial.

Tratou-se do primeiro evento de cozinha ao vivo e teve como objectivo promover a carne IGP, o pescado, as hortícolas e a fruta produzidas localmente.
O Faial à Mesa contou com uma breve introdução e ao “show cooking” propriamente dito, durante o qual, dois chefs mostraram formas alternativas para confeccionar os produtos.

No final participantes puderam degustar os pratos elaborados e de adquirir alguns dos produtos utilizados.

Com uma assistência atenta e curiosa, Emanuel Silva, da Pomar do Atlântico, afirmou ao Tribuna das Ilhas que “a ideia de levar por diante um evento desta natureza surgiu a partir de um evento que se realizou à um mês atrás e teve como principal propósito de promover os produtos locais e, por outro lado, aproveitar que a discussão em torno do mercado está na ordem do dia, e mostrar que é possível dinamizar este espaço de forma diferente e arrojada”.

Em relação à procura de produtos locais pelos faialenses, Emanuel Silva considera que “há procura pelo produto local e acho que as pessoas cada vez mais procuram o produto local e acho que se calhar não se procura mais porque não há mais. Em algumas alturas do ano o produtor local não tem capacidade para abastecer o mercado local, mas considero que com eventos desta natureza e outros mais que virão, poderemos promover o nosso produto”.

Emanuel Silva é empresário e produtor. Enquanto produtor diz à nossa reportagem que tem tido algumas dificuldades sobretudo no acesso à terra, porque ainda existe muito a monocultura da vaca, o que faz com que os bons terrenos estejam quase todos ocupados e os disponíveis sejam de difícil acesso.

Para além disso este produtor defende que “devia haver uma preocupação maior por parte da Câmara Municipal sobretudo nos custos da água ao produtor. Para o produtor que tem que recorrer à água da corrente, a água tem um custo de 1.02€ por tonelada, e gastamos uma tonelada num abrir e fechar de olhos. Ora, isso faz com que os custos de produção sejam elevados e com que não consigamos fazer preços mais baixos para o consumidor”.

Este empresário e produtor, é um dos mais jovens e recentes empresários a explorar uma loja no Mercado Municipal e tem sido também um dos mais acérrimos defensores daquele espaço. Confessa ao Tribuna das Ilhas que o faz porque “o mercado não pode fechar as portas e é preciso parar para pensar sobre este assunto porque, no dia em que as pessoas virem as portas do mercado fechar vão sentir saudade deste espaço e vão sentir que perderam algo que é muito benéfico para o desenvolvimento local. Pessoalmente acho que este é um espaço que tem que ser acarinhado, requalificado e desenvolvido e que ajudará a promover o produtor local acima de tudo”.

Uma das críticas que é apontada aos lojistas do mercado está relacionada com o preço dos produtos que, em alguns casos, são mais elevados do que nas grandes superfícies. Sobre isto Emanuel Silva entende que isso se deve ao facto da maior parte dos lojistas do mercado serem apenas comerciantes e não produtores que acabam por vender produtos locais e de fora.

 

 

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