Faialense Mariana Rosa destaca-se na Vela Regional

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DR/Mariana Rosa

Mariana Rosa tem 14 anos, frequenta o 9.º ano na Escola Manuel e Arriaga, gosta de ouvir música, dançar e tocar violino. O pouco tempo livre que tem é dividido entre o telemóvel, a televisão e o estudo. Não tem disciplina preferida e ainda não sabe o que quer ser quando crescer.

Para além de ser boa aluna e fazer as coisas normais das jovens da sua idade, adora tudo o que se relaciona com o mar.

Começou na canoagem, mas tem sido na Vela que se tem destacado. Apesar do percurso nesta modalidade ser ainda muito recente, a jovem faialense já tem provas dadas do seu talento ao sagrar-se vice-campeã regional de Vela na época 2016/2017, tendo sido por duas vezes primeira classificada no ranking regional feminino de Optimist. 
O Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a velejadora do Clube Naval da Horta (CNH), em vésperas de representar o Faial e os Açores no Campeonato Nacional de Vela.
 

 
 
Começou na Vela há pouco menos de dois anos, mas já vê na modalidade a sua grande paixão. Os olhos de Mariana brilham quando lhe perguntamos a razão da escolha deste desporto: “sinto-me bem no mar; sinto que estou a fazer aquilo que mais gosto. A Vela representa grande parte da minha vida; neste momento eu tenho de adaptar a minha vida para conseguir fazer o que quero na Vela”, explica.
O primeiro contacto com a Vela não fazia antever esta paixão. Mariana ingressou na modalidade com 6 anos, mas depressa se desinteressou e desistiu. Velejar, no entanto, foi algo que se manteve na sua vida, fruto dos passeios de verão no veleiro do pai. 
Mais tarde, decidiu voltar aos desportos náuticos e começou a praticar canoagem. Nos dois anos em que esteve envolvida nesta modalidade, foi campeã e vice campeã regional, até que alguns problemas físicos a levaram a desistir. Foi então que regressou à Vela e percebeu que, afinal, era ali que estava como peixe na água. 
 “Alguns dos meus colegas de turma andavam na Vela, por isso a adaptação foi mais fácil”, revela.
Apesar de jovem, o palmarés de Mariana na modalidade já impõe respeito. Soma vários títulos locais e regionais e só este ano já foivice campeã regional, tendo ficado somente a 2 pontos do campeão; marcou presença em várias competições nacionais e vai representar o Faial e os Açores nos Jogos das Ilhas, que este ano decorrem em Martinica.
De referir ainda que já no ano passado a velejadora faialense tinha conquistado o primeiro lugar do ranking regional em femininos, posição que conquistou novamente este ano. 
A sua vida gira em torno dos treinos e das competições. Mariana prepara-se para disputar o Campeonato Nacional de Vela Ligeira que decorre em Sesimbra no mês de abril, sendo a única atleta do Faial a marcar presença. Segue-se um estágio no âmbito dos Jogos das Ilhas, que decorre em Almada, onde só há lugar para os melhores velejadores açorianos.
Enquanto se despede da classe Optimist, uma vez que este é o seu último ano nesta categoria, as suas atenções centram-se nos desafios futuros. A velejadora ambiciona ir aos Jogos Olímpicos, mas sabe que ainda tem “um longo percurso pela frente”. “Tudo vai depender da classe que eu integrar no próximo ano e dos resultados que obtiver. Só depois posso decidir o que posso fazer”, esclarece.
As competições não intimidam a jovem velejadora. Mariana sabe que a concentração é a base para atingir bons resultados. Por isso assume essa consciência ainda em terra, enquanto se prepara para sair para o mar. “Para ser uma boa velejadora é necessário muita concentração e treino.” Explica. 
O trabalho árduo tem-lhe permitido uma grande e rápida evolução enquanto velejadora, o que deixa Mariana muito feliz: “alcançar estes resultados é inspirador até porque são poucas as raparigas que conseguem chegar aos primeiros lugares do pódio”, revela. 
Para além da satisfação pessoal, Mariana sente orgulho em representar o seu clube, o Faial e os Açores: “representar o CNH e os Açores nos nacionais é muito importante e um motivo de orgulho, porque lá fora eles não têm muito a noção de que os Açores existem e há pessoas que cá também praticam a modalidade e sabem andar à Vela”, afirma.
 
 
Competir para progredir
Mariana reconhece que o nível dos atletas de outras paragens é, normalmente, superior, todavia destaca a importância da experiência que a participação nestas competições de âmbito nacional traz. A título de exemplo, Mariana esteve em janeiro em Leixões, participando na terceira prova de Apuramento Regional da região Norte, tendo-se classificado em nono lugar de entre 70 velejadores. Também competiu recentemente em Vilamoura, classificando-se em 100.º lugar entre os cerca de 150 participantes.  
Mariana treina intensamente, ficando no mar cerca de duas horas e meia, mas considera que, se tivesse mais treinos, podia aproximar-se mais do nível dos adversários do continente. 
Por outro lado, defende, ainda, que era bom que houvesse mais atletas e mais competição. “As nossas provas locais, às vezes, se têm dez velejadores já é muito, pois nem todos vão às competições… Apesar de até termos várias provas locais ao longo do ano, não é suficiente para evoluirmos mais. Era bom que houvesse mais regionais. Já houve cinco provas, mas atualmente o campeonato é composto por apenas três provas”, lamenta.
Para continuar a evoluir Mariana deseja também que o seu clube possa ter condições para renovar os equipamentos de que dispõe. 
 
Importância do Apoio Familiar
Mariana Rosa é treinada por Duarte Araújo, do CNH. Quando participa nas regatas de Vela Ligeira a nível local e regional, utiliza as embarcações do clube. No caso das competições nacionais, usa os barcos disponibilizados pelas organizações. Apesar do apoio do seu clube e da Federação de Vela dos Açores, a velejadora frisa que o apoio dos pais é outro dos pilares do seu desempenho. Mariana diz, com orgulho, que herdou os fatos da mãe e da tia, salientando o apoio dos pais na aquisição dos equipamentos necessários para a prática deste desporto e financiando as suas deslocações ao continente português para participar nas provas. 
Para Mariana, cada nova prova é, mais do que um desafio, uma oportunidade para crescer e melhorar. É com esse espírito que segue em breve para o XII Campeonato de Portugal de Juvenis em Optimist, onde promete dar o máximo para deixar a Região orgulhosa.

 
 
 

 

 

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