Festival de cinema Queer Porto assinala os 50 Anos dos motins de Stonewall

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O festival de cinema Queer Porto vai assinalar os 50 anos dos motins de Stonewall, em Nova Iorque, como marco na emergência dos “modernos movimentos de luta LGBTI+”, com um ciclo dedicado aos acontecimentos, anunciou hoje a organização.O documentário “Before Stonewall” (1984), de Greta Schiller e Robert Rosenberg, é um dos filmes selecionados, assim como “The Cockettes” (2002), de Bill Weber e David Weissman, localizado na “psicadélica São Francisco dos anos 60”, que abrirá a 5.ª edição do Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer, a decorrer de 16 a 20 de outubro, no Teatro Rivoli, no Maus Hábitos e na Reitoria da Universidade do Porto.

Organizado pela Associação Cultural Janela Indiscreta, o Queer Porto quer reunir obras que “desafiem leituras”, como os filmes de Arthur J. Bressan Jr. “Gay USA” (1977) e “Buddies” (1985), primeira ficção cinematográfica sobre a sida, e “The Archivettes” (2018), de Megan Rossman, que demonstra “a importância dos legados materiais para memória futura”, na luta LGBTI+.

O ciclo inclui ainda “uma homenagem a uma figura maior das artes e do ativismo da Sida”, com “Self-Portrait in 23 Rounds: a Chapter in David Wojnarowicz’s Life, 1989-1991” (2018), documentário de Marion Scemama e François Pain.

Os chamados motins de Stonewall tiveram origem em manifestações espontâneas, de membros da comunidade LGBTI+, que foram crescendo em dimensão e intensidade, após a violenta invasão policial do bar Stonewall, em Greenwich Village, na madrugada de 28 de junho de 1969. Os factos foram também evocados no 23.º festival Queer Lisboa, que decorreu de 20 a 28 de setembro.

No comunicado hoje divulgado, o Queer Porto diz que “os 50 anos passados sobre os motins de Stonewall conduzem inevitavelmente a uma reflexão sobre o que significou meio século dos modernos movimentos de luta LGBTI+, quais as suas conquistas políticas e sociais (…), e o que significou o ativismo para a cultura ‘queer'”.

Todos os filmes serão exibidos no Teatro Rivoli, à exceção de “Before Stonewall”, que será projetado na Reitoria, no dia 17, seguindo-se o debate “Assunção, Visibilidade e Cidadania: um Caminho Português”.

O filme de fecho do ciclo encerra o festival: “El Ángel” (2018), de Luis Ortega.

Em competição, o Queer Porto vai ter oito longas-metragens: “A Dog Barking at the Moon”, de Xiang Zi, “The Gospel of Eureka”, de Michael Palmieri e Donal Mosher (que vão estar no Porto), “M”, de Yolande Zauberman, “Madame”, de Stéphane Riethauser (também presente no Porto), “The Man Who Surprised Everyone”, de Natasha Merkulova e Aleksey Chupov, “Los Miembros de la Familia”, de Mateo Bendesky, “Raia 4”, de Emiliano Cunha, e “Yours in Sisterhood”, de Irene Lusztig.

O júri da competição oficial é constituído por Adriano Baía Nazareth, realizador da RTP, a cantora Ana Deus, o artista Nuno Ramalho, e pela artista e curadora Susana Chiocca.

O prémio de Melhor Filme tem o valor 3.000 euros e é atribuído pela RTP2, que compra os direitos de exibição.

Na competição “In My Shorts”, são exibidas seis curtas-metragens de alunos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, da Universidade da Beira Interior, da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, do Instituto Politécnico do Porto e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre.

O Rivoli acolherá também um programa com seis Vídeo-Ensaios, entre os quais “International Face”, de Natalie Tsui, e “Flow/Job”, de Darren Elliott-Smith, outro realizador presente no Porto.

O programa “Carta-Branca a Cláudia Varejão”, resultante da proposta de curadoria feita pela Agência da Curta Metragem à cineasta, estende-se da edição em Lisboa, para o Porto, e inclui os filmes “A Torre”, de Salomé Lamas, “Insert”, de Filipa César e Marco Martins, “Paisagem”, de Renata Sancho, “Retrato de Inverno de uma Paisagem Ardida”, de Inês Sapeta Dias, e “Um Campo de Aviação”, de Joana Pimenta.

Em sessão especial será exibido “O Beijo no Asfalto”, do brasileiro Murilo Benício, sobre a peça de Nelson Rodrigues. E a mostra de realidade aumentada “A Terra é Tela”, de Vier Nev, chegará às ruas do Porto.

O Maus Hábitos acolherá a festa de encerramento e duas sessões Queer Pop, “sobre a evolução das expressões ‘queer'” na música, nos últimos 50 anos.

Para a apresentação da 5.ª edição do Queer Porto foi marcada para hoje uma conferência de imprensa, com o diretor do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes, o diretor artístico do festival, João Ferreira, e a programadora Constança Carvalho Homem.

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