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Festival Náutico da Semana do Mar envolve cerca de 1000 atletas

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Tribuna das Ilhas – Está quase a começar mais um festival náutico da Semana do Mar, que é o maior festival náutico do país, já estão afinados todos os  preparativos?
José Deq Mota –  Os trabalhos preparatórios estão avançados, é evidente que faltam sempre ainda resolver algumas questões mas penso que a preparação está ao nível do que é normal. Esperamos agora que  o tempo ajude. Se o tempo ajudar e se o nosso programa for cumprido teremos um festival náutico de elevado nível. 
Começa no dia 6 e acaba no dia 13, mas o festival náutico há alguns anos passou a incluir um programa que envolve muitas modalidades. É um programa que tem exigências crescentes, tem iniciativas como regatas, demonstrações, etc., de nível e portanto fomos sentindo ao longo do tempo necessidade de ir alargando. Este ano abrimos as provas náuticas no dia 4 às 9h00 e nesse dia realizamos uma grande iniciativa que é a travessia do canal a nado, que é uma forma de abrir com algum “estrondo” o festival náutico da Semana do Mar (SM).
 
TI – Quantos participantes são esperados nesta edição?
JDM – Em termos de quantificação das várias modalidades é difícil. O encontro nacional da vela ligeira, terá mais de 100 participantes, o campeonato regional de canoagem, que é uma prova oficial, que se realiza no próximo sábado, terá cerca de quatro dezenas de canoístas, as regatas de vela de cruzeiro variam muito conforme o tempo se está bom ou mau,  o número de barcos que estão cá na Horta, se a Atlantis Cup já chegou. A expetativa é que tenhamos umas dezenas muito largas de tripulantes a fazer as regatas. Na natação, na travessia do canal, neste momento há 22 inscritos, na travessia curta da doca, costumam ser de dezenas, na travessia longa da doca, que este ano é uma prova oficial na NARA, que vai ter 1,5km em forma de triângulo, terá nadadores daqui, Terceira e S. Miguel e espera-se que sejam algumas dezenas. Depois temos os botes baleeiros com cerca de 200 pessoas. Estou convencido que no festival náutico em termos de participantes nas provas, tendo ainda em conta os mini veleiros e o windsurf,  iremos atingir o que tem vindo a ser habitual que é uma participação de mais de 1000 pessoas.
 
TI – Além destas habituais modalidades, há a introdução de alguma novidade?
JDM: Há a procura de introduzir mais qualidade na competição de vela ligeira, tendo conseguido este ano ter duas provas oficiais no festival náutico. O ter provas oficiais dignifica sem dúvida o evento e melhora por definição a qualidade das coisas  que envolve  atletas de fora. Gostava também de chamar a atenção para a  Atlantis Cup que já está a decorrer, e que tem a ver com o festival náutico, porque termina sempre no inicio da SM, e não é por acaso que isto acontece, como forma de trazer a frota à SM, que tem 21 inscritos.
 
TI –  A nível de voluntários e meios técnicos, que são indispensáveis na organização do festival, como foi gerir essa parte?
JDM: Temos pedido ao público aos sócios e desportistas a agirem e trabalharem como voluntários, pelo que em termos de pessoas eu não me preocupo extensivamente porque a vida mostra-nos que há sempre bastantes pessoas disponíveis. Em termos de meios, aí sim, as preocupações são crescentes. Como sabem nós temos hoje uma frota de apoio significativa mas não é nova, tem uma utilização muito intensa todos os anos e por isso precisamos um programa de renovação. O CNH, quer no que respeita ao seu problema da frota de apoio quer aos equipamentos de formação e competição em vela e canoagem, está com um défice de material muito forte. É bom ter a noção de que o CNH faz este festival náutico com empenho e penso que com qualidade mas com as dificuldades que resultam destes problemas dos equipamentos e das instalações. Aproveito para dizer que para mim, não faz nenhum sentido que as instalações do CNH tenham sido, na prática, retiradas das prioridades ligadas com a Frente Mar e com a restruturação do Porto, pois sendo o CNH uma estrutura essencial para esta pretensão de a Horta ser uma cidade náutica, quer de recreio como de competição náutica, é como se o CNH não existisse. Está a ser desde 2013 profundamente maltratado o CNH em relação a estas situações. 
 
TI –  Vou terminar com duas frases, uma sua e outra do presidente da CMH, que é uma parceira da Semana do Mar. A sua frase: Semana do Mar é a maior festa do mar. E dizia o presidente da CMH: Semana do Mar não são só espetáculos. É uma parceria que funciona, faz a pessoas virem ao festival, depois aproveitam também a parte mais lúdica…
JDM –  A Semana do Mar quando começa em 75, começa como sendo um conjunto de atividades náuticas feitas por iniciativa do CNH à volta da escala de uma regata inglesa que nesse ano tinha pedido apoio para fazer uma paragem aqui. Recordo-me que era tudo completamente diferente, não havia marina, o barco atracava na boca ou no meio da baía. A sede do CNH era onde hoje é o centro de formação, portanto todas as atividades geravam-se ali à volta da sede e à volta da baía, com os barquinhos da formação a fazer umas regatas. Depois tem mais progresso, que é o envolvimento da CMH, e nos anos 80, a SM ganha uma natureza dupla continuando a ter um festival náutico cada vez maior, e o que de facto temos hoje é um festival náutico que se realiza no quadro de uma grande festa popular envolvida em muitos visitantes e que tem todas essas características. Agora, se se retirasse toda a parte em terra e ficasse só o festival náutico isso mudava de grandeza. Por outro lado, se se fizesse ao contrário era uma festa igual a tantas outras. O financiamento deste festival náutico tem várias vertentes, uma parte é pela CMH mas também tem a parte do turismo dos Açores e que se não a tivesse não podíamos fazer este festival náutico, nomeadamente o Campeonato Regional de Canoagem. A SM é de facto uma grande festa e se tirassem este festival passava a ser uma festa como muitas, o festival náutico é que diferencia. 
Este é um clube que sabe trabalhar mas que, neste momento, vive algumas dificuldades que resultam da inexistência de programas de reapetrechamento no que respeita a equipamentos e da falta de vontade política no que respeita a resolução do problema das instalações. 
Queria só dizer  que em relação aos voluntários, há de facto muita gente sempre o que é muito bom. Esse conceito de voluntariado estende-se aos voluntários que enquadram provas, aos membros dos corpos diretivos que se envolvem que dão muito do seu tempo livre, mas o voluntariado é essencial mas também é fundamental um corpo de funcionários que não sendo grande é dedicado, competente, capacitado e que ajudam muito nesta emergência na organização de eventos sucessivos. Gostava de terminar dizendo o seguinte, o festival náutico da SM é composto por regatas, provas e demonstrações que ultrapassam o número de 70 em 10 dias, de uma intensidade elevada. 

 

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