Frente Mar parada ou a pedalar?

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600.
600 é o número de dias que já lá vão desde que José Leonardo deu o tiro de partida, com pompa e circunstância, para o início da 1.ª Fase da Frente Mar.
300.
300 é o número de dias que estavam definidos para a conclusão dessa obra.
300.
300 é igualmente o número de dias que a obra leva de atraso.
O fim não se vislumbra no horizonte. Quantos dias faltarão até ao termo da obra?
No momento em que se deveria estar a lançar a Quarta Fase da Frente Mar, continuamos ainda na primeira e, aparentemente, ninguém é responsável por este atraso, ou, pelo menos, ninguém assume a responsabilidade pelos prejuízos que esse atraso possa, eventualmente, ter causado.
Ao longo de quase dois anos desta obra de “Santa Engrácia”, habituámo-nos a conviver com os horríveis taipais que, ainda hoje, escondem o Largo do Infante de olhares indiscretos. Ao seu lado passamos diariamente, muitas vezes sem nos apercebemos que lá estão, sem nos lembrarmos que protegem uma penosa obra que se perpétua no tempo.
Nesta frente de obra, inicialmente eram 20 ou mais os trabalhadores. Passados alguns meses eram 10 e hoje não se vê ninguém. O que aconteceu aos trabalhadores da empresa a quem foi adjudicada a obra? Porque será que não há ninguém a trabalhar na Frente Mar?
Os faialenses anseiam pela conclusão desta obra, tal é a saudade que têm em pisar aquele espaço de excelência da nossa cidade.
Mas se as obras não têm fim à vista…quando terminarem, a vista também não será a mesma.
Teremos que conviver com uma nova edificação, por alguns apelidada de “mamarracho” implantada bem no meio do Largo do Infante. Um edifício que a Direção Regional da Cultura considerou, no seu parecer, um obstáculo à “visualização para a marina”, uma “obstrução para a esplanada” e “estrutura demasiado dominante”.
O que é curioso é que a sua construção vai claramente contra tudo o que José Leonardo tem defendido na praça pública desde a apresentação das várias fases da Frente Mar.
”Abrir cada vez mais a nossa cidade e abrir a nossa marina à cidade”, como ele costuma dizer, parece um pouco mais difícil desta forma. A opção de construir um edifício que obstrui, que impede uma visão clara sobre a marina, sobre o nosso “ex libris”, não parece a escolha mais acertada.
É fundamental haver coerência entre o que se diz e aquilo que depois se faz. O velho provérbio “pela boca morre o peixe” assenta aqui que nem uma luva.
E o que dizer do alcatrão preto colocado nesse Largo em substituição do passeio em calçada portuguesa? Uma ciclovia para uns. Uma descaraterização do estilo do Largo, que fica sem passeio, e, no futuro, da própria Avenida, para outros.
Compreende-se que o Município incentive os faialenses a usar a bicicleta em alternativa ao automóvel. Mas não se compreende a falta de gosto, se bem que parece recorrente, basta pedalar um pouco e observar, tristemente, as obras da Pousada de Santa Cruz.
E, também, não deixamos de recordar que existe uma ciclovia na Rua Príncipe Alberto do Mónaco onde se devem contar pelos dedos da mão as bicicletas que lá passaram.
Temos que convir que não é certamente desta forma, avulsa, que se promoverá a utilização da bicicleta. É necessária uma estratégia integrada de desenvolvimento sustentável que promova a melhoria da qualidade de vida dos faialenses no meio urbano e que vá de encontro às suas expetativas e não um rasgo momentâneo que provoque mais dissabores.
Se já sabemos que teremos que conviver com o “mamarracho” nas próximas décadas, no caso da ciclovia ainda vamos a tempo de a repensar. Às vezes é melhor parar e refletir no que realmente se quer para o bem comum e da nossa cidade. Não podemos é ficar quietos! Mas, neste caso, pedalar assim também não é a melhor opção.

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