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Frente Mar: uma história do futuro

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Está aberta a nova fase da Frente Mar e mais uma vez a nu o falhanço que é este projecto. Não corresponde a uma estratégia para a cidade, não foi pedido nem devidamente debatido (ao contrário do propagandeado), não respeita as pré-existências nem a identidade local, e ainda provoca mais problemas e despesas. É inadmissível que numa obra desta envergadura não estejam definidas desde o início questões básicas como cotas definitivas, ou que dela resultem problemas como o escoamento de água, que agora se tenta atenuar com remendos por todo o lado. Sobre a arquitectura, além de se terem destruído elementos identitários da cidade e desvirtuado uma obra icónica da arquitectura nacional do seu tempo, substituindo-a por uma mais pobre, desenquadrada e de gosto duvidoso, utilizaram-se materiais desadequados (como a pedra das passadeiras, mais dispendiosa e com riscos para a segurança devido à falta de aderência) e de fraca qualidade (como a imitação de basalto usada em frente a Santa Cruz e nos pinos dos passeios, cujos danos estão à vista – aliás, materiais semelhantes foram usados noutras ilhas e acabaram por ser substituídos por falta de qualidade). Noto ainda o plano inclinado onde se contruiu parte da estrada – talvez por inspiração nas pistas de Fórmula 1 –, que esperemos não resulte em acidentes graves quando o pavimento estiver escorregadio. A única parte da obra com uma potencial utilidade era o parque de estacionamento, que será demolido com a mesma naturalidade com que foi feito (com gasto acrescido, num equipamento que nunca será utilizado).
Espero que a CMH tenha a coragem para não avançar com a fase seguinte antes de ser repensada a fundo, pois a intervenção prevista para o resto da Avenida não apresenta qualquer benefício estrutural que justifique a sua magnitude e custo, além dos problemas que já se prevê que tenha. O que a cidade precisa é de estratégia e iniciativas integradas, como o que a CMH está a fazer com o incentivo ao uso de bicicletas ou o transporte colectivo para o espaço da Semana do Mar (devia estudar-se a sua continuação para lá da festa).
Já não tenho esperança de que a participação pública sirva para alguma coisa nesta terra, mas a pregação no deserto que se arrastou estes anos pelas páginas dos jornais terá ao menos uma utilidade. Quando os faialenses do futuro olharem para esta obra com distância e sem comprometimento político, ao lerem a retórica sobre a discussão pública poderão convencer-se de que a Frente Mar resultou de um surto de estupidez colectiva. Ora, deixando-se registados os pontos de vista contrários e um olhar crítico, não haverá dúvida de que resultou, sobretudo, da prepotência da classe política. Resta saber se essa atitude mudará ou se continuará a sua demanda até ao final.

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Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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