Golden Trail Championship e a Covid-19: o medo pode comprometer o nosso futuro

0
44
TI
TI

Há muito tempo que estava prevista para a ilha do Faial e do Pico a realização da prova denominada Golden Trail Championship, o “Santo Graal” do Trail Run. A sua efetiva concretização ocorreu entre a quarta-feira e domingo da semana passada.
Os 250 melhores atletas do mundo nesta modalidade vieram à nossa ilha para competir naquela que é considerada por todos como a maior competição mundial do trail run. E para orgulho de todos os faialenses, entre eles estava o nosso “grande” atleta Dário Moitoso, bicampeão nacional de trail.
Por isso, em circunstâncias normais não poderíamos deixar de considerar um privilégio o acolhimento de um evento desta envergadura, que não seria possível, certamente, sem o enorme prestigio granjeado junto de atletas e equipas de elite deste desporto pela marca Azores Trail Run e seus representantes.
É certo que num tempo em que a pandemia Covid-19 afetou seriamente a economia de toda a Região, a presença na ilha, por vários dias, de um número significativo de atletas, com elevado poder de compra, trouxe um enorme balão de oxigénio ao turismo local, permitindo aos hotéis, aos alojamentos locais, ao comércio local e aos restaurantes, obter uma receita financeira, que, de outra forma, não conseguiriam.
E que, com toda a probabilidade, lhes deu algum alento para enfrentar as adversidades resultantes da mais que provável declaração do Estado de Emergência.
Contudo, e compreensivelmente, houve quem não tivesse ficado contente com tão elevada e diversificada presença, sobretudo devido à possibilidade de os atletas terem trazido para a ilha o vírus Covid-19, manifestando esse seu desagrado através das redes sociais e de vários órgãos de comunicação social.
Foi precisamente isto que o 25 de abril de 1974 concedeu aos portugueses: a liberdade e a possibilidade de manifestarem livremente a sua opinião.
No entanto, tal como temos visto em Portugal continental, a realização dos eventos desportivos de massas (o que foi o caso) dentro desta pandemia obriga à definição de um plano de contingência e à sua consequente aprovação e autorização por parte da Autoridade de Saúde Regional.
Ora, uma vez que a prova foi realizada, isso só pode significar que a Autoridade de Saúde Regional concordou com o plano estipulado. Mais, constatou-se, ao longo dos dias em que a prova se efetuou, que a organização foi rigorosa no cumprimento do protocolo inicialmente definido e das medidas de proteção da saúde, tentando, ao máximo, evitar qualquer possibilidade de contágio e transmissão do vírus.
Por outro lado, não nos esqueçamos que os Açores adotaram, com sucesso, medidas que tendem a inibir a entrada na Região de passageiros, portadores da Covid-19 ou não. Efetivamente, a imposição da obrigatoriedade de apresentação de teste negativo, realizado em laboratório devidamente credenciado, à chegada à Região ou a realização de teste Covid-19 aquando do desembarque num dos nossos aeroportos, têm funcionado como uma salvaguarda das nossas ilhas, perante a pandemia que continua a alastrar por todo o mundo.
Respeitando o ponto de vista de cada um e respetivas preocupações, não podemos ter medo de nos abrirmos ao exterior, de receber passageiros, o que acontece todos os dias, ou acolher eventos desta natureza, sob pena de vermos a nossa economia definhar e, em particular, o nosso turismo, com o aparecimento de falências e de uma crise económica, social e financeira sem precedentes.
Mesmo em tempo de pandemia, com as restrições existentes, a organização do Golden Trail Championship está de parabéns pela forma com que levou a cabo este evento e o nome do Faial além-fronteiras.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO