Furacão Lorenzo: que ensinamentos a retirar?

0
506
TI
TI

Já muito se escreveu acerca do Furacão Lorenzo que, no passado dia 2, assolou principalmente as ilhas das Flores, Corvo, Pico e Faial. Desde louvores à Proteção Civil Regional que, atempadamente, alertou a população para o perigo que se aproximava, de modo a que esta tomasse as medidas necessárias para assegurar a proteção dos seus bens.
Passando pela enorme onda de solidariedade registada, sobretudo na ilha do Faial, para com aqueles que viram desaparecer muitos dos seus bens. Até ao facto elogioso de o Presidente do Governo se ter deslocado às Flores para acompanhar de perto a tempestade e os trabalhos de prevenção.
No entanto, apesar de não se ter registado a perda de vidas humanas, naquelas horas trágicas, nem tudo correu bem. Daí que, depois da passagem desse fenómeno, há que tirar ilações e ensinamentos para que, no futuro, tal não volte a acontecer.
NA ILHA DAS FLORES, um erro de cálculo da entidade gestora do Porto das Lajes das Flores, permitiu que o Furacão Lorenzo arrastasse para o fundo do mar dezenas de contentores e barcos que estavam depositados na zona de terrapleno do Porto.
Se, perante as enormes ondas que destruíram o molhe do Porto nada havia a fazer, que explicação plausível tem a Portos dos Açores em relação ao facto de ter deixado contentores e barcos (entre eles a lancha Ariel) naquela zona à mercê da intempérie que aconteceu?
Isto quando se sabia que, por força da tempestade Killian, havia danos relevantes no molhe e na cabeça desse mesmo Porto. Tal decisão nunca deveria ter sido tomada, pelo que será importante retirar conclusões deste modus operandi e do que sucedeu posteriormente.
NA ILHA DO FAIAL, teve-se a perceção que a Proteção Civil Municipal não conseguiu fazer tudo o que estava ao seu alcance em termos de prevenção para salvaguardar a população faialense e seus haveres.
Sabia-se, com, pelo menos, 2 dias de antecedência, através dos avisos emanados da Proteção Civil Regio-nal, que a zona da ilha a ser mais atingida pelo Furacão seria o lado sul, desde o Porto do Varadouro até ao Porto da Horta. E que, em toda essa faixa, havia zonas mais expostas e propensas a sofrer de forma intensa os efeitos da intempérie, nomeadamente o Porto da Feteira e a zona de Porto Pim.
Perante o que, posteriormente, sucedeu nesses locais, será que foi acionado o Plano Municipal de Proteção Civil?
Efetivamente, não se consegue perceber como é que, em face da perigosidade da tempestade que se aproximava, não foram tomadas todas as medidas imprescindíveis para a defesa dos cidadãos e dos seus bens.
Por uma questão de prevenção, não teria sido melhor evacuar todas as habitações que circundam a zona do Porto da Feteira? Ou retirar as pessoas quando a água já lhes chegava à cintura? Ou proteger antes de forma mais eficaz as habitações de Porto Pim, recorrendo a todos os meios privados, municipais e governamentais existentes.
E como é que um jornalista de uma televisão nacional consegue fazer um direto, em pleno furacão, da zona da Laginha ou da Avenida. Não deveriam estas zonas perigosas estar interditas à população?
A prevenção, mas, sobretudo, uma adequada avaliação em cada momento da tempestade, teria sido certamente suficiente para evitar as situações de risco que, efetivamente, aconteceram.
E, já agora, em face dos visíveis danos causados na orla costeira da ilha, não seria importante vistoriar por mar toda a zona da Laginha, cuja estrada, como sabemos, tem por baixo inúmeras grotas? Pois, como diz o ditado, “mais vale prevenir do que remediar”.
De tudo isto se retira a certeza que houve erros ao enfrentar esta intempérie, com os quais todos temos que aprender, de modo a que, quando estejamos no futuro perante uma situação semelhante, saibamos onde, como e com que meios atuar.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO