Grupo SATA apresenta prejuízo recorde de 53,3 milhões de euros em 2018

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O Grupo SATA fechou o ano de 2018 com um prejuízo de 53,3 milhões de euros, o que correspondeu a um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017, com os custos operacionais a agravarem-se em 4% e as receitas a caírem também 4%.

A transportadora aérea regional apresentou as suas contas referentes ao ano de 2018 reportando um prejuízo de 53,3 milhões de euros, correspondendo esse montante a um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.
Para o referido prejuízo anual contribuiu a Azores Airlines, que opera de e para fora do arquipélago, com um resultado líquido negativo de 52,93 milhões de euros, e a SATA Air Açores, que assegura os voos nas nove ilhas do arquipélago, com um resultado líquido negativo de 2,58 milhões de euros.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da SATA, António Teixeira, o aumento do preço dos combustíveis, a subida dos gastos com pessoal e a necessidade de recorrer a serviços ACMI (aluguer de aviões a outras companhias aéreas) são algumas das causas que originaram esse agravamento dos prejuízos do grupo SATA, registando-se, desse modo, um aumento de 4% nos custos operacionais e um decréscimo de 4% nas receitas operacionais.
“Apesar do quadro negativo dos resultados apurados, quer em 2018 quer nos anos anteriores, o Conselho de Administração considera que a inversão desta tendência é exequível a médio prazo, com alguns resultados já no decorrer de 2019”, salientou António Teixeira.
Na apresentação dos resultados da transportadora aérea, o gestor, em declarações aos jornalistas, referiu querer ter prejuízos “inferiores em 50% ao apresentado agora”, procurando, portanto, um resultado na casa dos 26 milhões de euros negativos.
“Vai ser um ano de 2019 difícil, com algumas vicissitudes que teremos de enfrentar e resolver, no sentido de começar a apresentar resultados diferentes daqueles que se registaram nos últimos dois anos”, admitiu o presidente do grupo SATA, destacando que a empresa está a trabalhar com o acionista, o Governo dos Açores, num processo de reestruturação financeira.
Em cima da mesa está a abertura de um processo de reformas antecipadas, escusando-se, todavia, António Teixeira a indicar um eventual número de trabalhadores que a empresa estime como necessários para sair da SATA.
Questionado sobre o processo de privatização de 49% da Azores Airlines, o gestor sinalizou que “desde o início” do mandato que sempre referiu “que com ou sem privatização” o “único e grande objetivo é inverter os resultados negativos verificados nos últimos anos e a médio prazo” atingir o break-even financeiro.
As contas individuais de 2018 foram aprovadas na quarta-feira, devendo os resultados consolidados do grupo SATA – que deverão ser “similares”, afiançou António Teixeira – ser apresentados no final de maio.
O Governo dos Açores autorizou no final de março o lançamento de um novo concurso para a alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, depois de o primeiro concurso ter sido cancelado.

Vasco Cordeiro considera que resultados da SATA em 2018 “não são sustentáveis”
O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, considerou que os resultados da transportadora aérea SATA em 2018 “não são sustentáveis” e que se torna “imprescindível” colocar a empresa “noutro patamar de sustentabilidade” financeira.
“Não há duas formas de ver os resultados, há uma forma de ver os resultados. E a forma é que efetivamente são resultados que não são sustentáveis”, considerou o governante.
Lembrou, ainda, Vasco Cordeiro que a atual administração da SATA tem “cerca de seis meses” no cargo, não lhe podendo ser assacada a total responsabilidade pelo exercício de 2018. Contudo, prosseguiu, há agora “compromissos, objetivos e medidas” que têm de seguir o seu caminho de “colocar a companhia noutro patamar de sustentabilidade”.
“É nesse domínio que temos confiança neste trajeto que está a ser seguido, e não só esperamos como se torna imprescindível que seja concretizado”, frisou.

Líder do PSD/Açores pede “cartão vermelho” ao Governo nas regionais de 2020
No âmbito de uma visita à ilha de Santa Maria, o líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, pediu, no passado sábado, um “cartão vermelho” ao Governo Regional nas eleições de 2020 perante o que classificou de “gestão danosa” da SATA, que a levou a acumular prejuízos de 200 milhões de euros desde 2013.
De acordo com a nota de imprensa do partido, para Gaudêncio “as contas da SATA revelam uma gestão danosa de um Governo que dizia, há pouco tempo, que os prejuízos da empresa iam ser reduzidos para metade”.
“O que se viu foi o contrário, com um aumento para 53 milhões de euros. Desde que Vasco Cordeiro é presidente do Governo, a SATA já acumulou 200 milhões de euros de prejuízos”, salientou o presidente social-democrata, considerando que “é tempo de assumir responsabilidades políticas por esta situação”, estando “na hora de mostrar um cartão vermelho a este Governo” com os açorianos a terem “uma boa oportunidade de fazê-lo nas eleições regionais de 2020”.
Gaudêncio considerou que a SATA e a governação dos Açores em geral necessitam de uma “lufada de ar fresco”, sendo que tal só será conseguido votando nos social-democratas.
Por último, o presidente do PSD/Açores deixou ainda uma “palavra de apreço” aos funcionários da SATA, que “são muitas vezes o rosto da empresa e que muito têm feito para levar o bom nome da região além-fronteiras”.

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