Há 40 anos no Distrito da Horta (6) – O Governador Sá Vaz

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Os governadores civis dos distritos autónomos de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta são finalmente nomeados pelo Conselho de Ministros numa reunião que ocorreu a 16 de agosto de 1974 e que se prolongou por 10 horas tendo como ponto primeiro e principal a aprovação do Decreto-Lei sobre a Greve e o “Louk-Out”:

“Lisboa, 17 – O Conselho de Ministros esteve reunido desde as 15h00 de ontem até à 01h05 de hoje. (…) Foi aprovada a nomeação dos seguintes governadores civis: Horta capitão-tenente Rui Vasco de Vasconcelos e Sá Vaz; Angra do Heroísmo dr. Oldemiro Cardoso Figueiredo; Ponta Delgada dr. António Borges Coutinho.” (Diário Insular, 18 de agosto de 1974)

A nomeação de Sá Vaz mereceu pronta congratulação do jornal O Telégrafo em Editorial intitulado “Temos Governador”:

“Finalmente, após um período que se processou desde o 25 de Abril até anteontem, o Distrito da Horta volta a ter um Governador, escolha que, em boa hora, recaiu no sr. Capitão-Tenente Rui Vasco de Vasconcelos e Sá Vaz que desde Dezembro vinha desempenhando as funções de Capitão do Porto da Horta (…) e desde a “Revolução dos Cravos” tem vindo a exercer o cargo de Delegado da Junta de Salvação Nacional. (…) Estamos certos que o ilustre oficial, pelo seu comprovado aprumo e correção, dotes de inteligência e vontade de bem servir, é, realmente, o Governador que o Distrito bem precisava.” (O Telégrafo, 18 de agosto de 1974)

O Ministro da Administração Interna, Costa Brás, desloca-se da metrópole para empossar os três governadores distritais e assiste ao discurso da nova autoridade do Distrito da Horta propondo-se “diminuir a distância que o separa de um S. Miguel macrocefálico”:

“Abordarei a Vossa Excelência, muito rapidamente, os problemas que neste momento julgo mais preocupantes, pois eles serão tratados pelos organismos técnicos existentes: 1 – A necessidade de um desenvolvimento do Distrito tendo em vista diminuir a distância que o separa de um S. Miguel macrocefálico; 2 – Estudar com urgência o problema de saúde do Distrito. 3 – Aplicar urgentemente um plano portuário para o Pico a fim de que se possa arrancar com uma agropecuária e rapidamente construir os acessos aos terrenos cultiváveis. 4 – Desenvolver o problema sindical de forma a que as relações entre o patronato e os trabalhadores se possam estabelecer num clima sadio de obrigações e direitos(…) 5 – Desenvolver de forma eficiente e rápida as ligações marítimas e aéreas entre as ilhas ou entre estas e o continente”. (O Telégrafo, 25 de agosto de 1974) 

Ainda em Lisboa, o ministro Costa Brás recebera uma proposta de composição da nova comissão administrativa da Câmara Municipal da Horta, presidida por Fernando Dutra de Sousa e constituída por Jaime Baptista Peixoto, Fernando Manuel de Faria Ribeiro, Alberto Romão Madruga da Costa, Ruben Rodrigues, João Neves Porto e João Martins Silva. E, pouco antes da visita ministerial aos Açores, o Partido Socialista faz “prova de vida” na ilha do Faial. Em notícia de capa com apenas cinco linhas, o Correio da Horta adivinha a dissolução do Grupo Democrático Faialense, arrisca a sua transformação em núcleo do Partido Socialista e anuncia uma visita de Mário Soares:

“O Grupo Democrático Faialense transforma-se em núcleo regional do Partido Socialista? Tudo indica, já que foi ao Grupo Democrático que a Comissão Central do P.S.P. comunicou que o seu Secretário Geral, dr. Mário Soares, visitará esta ilha nos fins do mês em curso.” (Correio da Horta, 19 de agosto de 1974)

O Partido Socialista de Mário Soares chega assim ao Faial depois de implantado em S. Miguel e na Terceira.

 

*Pré-publicação de excertos do livro 1974: Democracia… O 25 de Abril nos Açores, de José Andrade, que será lançado a 24 de abril, às 18 horas, na Biblioteca Pública da Horta

 

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