
A cultura do Faial sempre se enraizou no diálogo entre as pessoas e a paisagem. Das faias – que dão nome à ilha – aos pomares que sustentaram gerações, a nossa identidade está entrelaçada com a vegetação. Infelizmente temos perdido a memória do valor da vegetação espontânea local, seduzidos pelos jardins alinhados, pelos prados padronizados e pela relva importada cortada ao milímetro. Esta amnésia cultural levou-nos a usar sulfatos e glifosatos, eliminando não apenas “ervas daninhas”, mas todo um ecossistema que outrora fazia parte do nosso quotidiano rural. A natureza selvagem e os saberes tradicionais que a acompanhavam foram sendo progressivamente apagados, substituídos por uma falsa ideia de limpeza e ordem.
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