Uma Horta forte teria efeitos positivos no nosso desenvolvimento, seria geradora de riqueza e emprego, expansão e modernização, seria uma terra garante de geração de oportunidades para as suas populações e consequente alcance de benefícios futuros no nosso bem estar, seria uma força para minimizar o efeito das crises e para melhor as enfrentar, quando as houvesse.
Para as sociedades se desenvolverem, necessitam de ver nos seus líderes a capacidade de influenciar no plano local e regional, funcionando como estímulo para aquelas se sentirem mais seguras e confiantes no futuro, para serem mais proactivas, pois têm quem as defenda e integre no desenvolvimento.
A Horta deveria, assim, ter líderes no plano regional com presença no governo. Mesmo sabendo que os secretários devem ser regionais, ter uma voz da ilha do Faial presente no conselho de governo iria trazer uma maior equidade, uma maior redistribuição da ação governativa e maior aproveitamento das potencialidades da nossa ilha.
É um desejo que o Faial merece e faço votos que, independentemente de quem ganhe as próximas eleições legislativas regionais, se tenha essa atitude, que só dignifica a autonomia insular, de colocar no conselho de governo quem tenha uma perceção mais real das dificuldades das pequenas ilhas.
A Horta forte teria que, ao nível da associação de municípios dos Açores, ter um representante eficaz, que por exemplo não desse a má imagem que o atual dá, que na anterior composição deste órgão se queixava do seu partido não ter a maioria dos municípios e de não conseguir alterar as fracas condições de financiamento, mas agora que a maioria é do seu partido, assobia para o lado e diz que não pode alterar as regras a meio do jogo.
Num âmbito mais local, a Horta, que é contra a centralidade e critica esse fator, quando se vê retirada de bens e direitos a favor das ilhas maiores, não pode cometer os mesmos erros no que concerne ao Triângulo. Contudo, há centralidades que pode defender sem retirar nada às ilhas vizinhas, sem mencionar que pode defender, em bloco com as ilhas do Triângulo, os seus direitos comuns e outros.
Seria, pois, uma Horta forte aquela que apresentasse junto das ilhas irmãs próximas soluções de interesse comum e que desenvolvesse ações no Faial que pudessem beneficiar a interação com o Pico e S. Jorge.
Se tivéssemos uma Horta forte, deveria ter sido ela a convocar a reativação da associação de municípios destas três ilhas e não ter tido uma atitude de total e quase inexplicável inação, deveria inclusive aplicar os estudos estratégicos que já elaborou e pagou e que, sem se perceber porquê, mantem na gaveta (só serviram, portanto, para aparecer nos meios de comunicação social).
Deveria ter um papel fortemente interventivo nos transportes marítimos de passageiros, dando parecer sobre se as embarcações agora adjudicadas de costas voltadas para os habitantes destas ilhas têm as qualidades pretendidas e se atingem as velocidades que se exigem atualmente, à semelhança do todo regional.
Uma Horta forte e moderna não pode ter um plano director municipal com quase dez anos, um plano de urbanização castrador, planos fundamentais para o desenvolvimento interno do Faial e que estão desadequados deste mundo, cujas alterações exigem mais trabalho e menos orgulho político.
Numa Horta forte ao nível de ilha, deveriam os seus deputados eleitos lutar por conseguirem nem que fosse mais um euro no plano e orçamento – seria mais um euro para a nossa agricultura, para as nossas pescas, para a nossa indústria e serviços. Mesmo que se achasse que o plano o orçamento regional já estaria a ser benévolo, a missão dos nossos eleitos é conseguirem algo mais a bem dos Faialenses.
Em suma, em vez da Horta que temos, merecemos e exigimos uma Horta forte!











