Equidade Indignada!

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 Sendo conhecidas a proposta de orçamento de estado para o próximo ano e a ante proposta para o orçamento da Região, e para ser fiel ao propósito de escrever sobre factos político-económicos, faria sentido tecer algumas considerações sobre aquelas, contudo só o farei em próximo artigo, pois acho que o que aconteceu na semana passada toca muito a ilha do Faial e decidi dar-lhe primazia. Refiro-me à apregoada equidade empresarial da ação governativa regional, mencionada pelo vice presidente do Governo na assembleia regional, para justificar a ação do governo em tornar-se mediador pagador numa operação de dezenas de milhões de euros, por altura da saída de uma empresa sócia do hotel casino, em Ponta Delgada.  

Em primeiro lugar, é necessário definir equidade política; vai para além da transversalidade cega, trata-se de igualdade, em que o político pode corrigir com justiça um caso particular que não foi previsto pelo legislador. Perante esta definição simplificada, temos que enaltecer os aspetos positivos mas também apontar os aspetos negativos desta tomada de decisão do vice-presidente do governo regional.

Como aspetos positivos, temos a aplicação de esforços pessoais e financeiros do governo, levando ao extremo o conceito de equidade para o apoio à atividade empresarial, visando “apenas” dar mais um passo para que se abram dois hotéis, um pronto e outro – um verdadeiro elefante branco – por concluir na marginal de Ponta Delgada.

No entanto, levantam-se dúvidas sobre até que ponto esta equidade não roça o compadrio e não seja assim tão igual, isto é, que haja situações semelhantes que não tenham sido tratadas da mesma maneira e com o mesmo afinco, criando o efeito contrário, de injustiça.

A proximidade a compadrio vai ao ponto de, desde o início do processo, já se ter “arranjado” um sócio para o consórcio, na tentativa de manter a empresa terceirense em terras micaelenses; e não tendo tido sucesso, mais este esforço de intermediação, que seria mais lógica por parte de uma empresa de advogados… mas não há nenhuma empresa de advogados que deposite na conta de um privado 33 milhões de euros!…

Verificou-se que, com este Vice, quando estão em causa interesses terceirenses, é mesmo fácil (e corrente) um camelo passar pelo buraco de uma agulha… e que ninguém se meta!

É assustador saber que o secretário da economia estava presente na assembleia, mas a fazer ofício de corpo presente. Como interpretar o silêncio deste e do presidente do governo? Que esta equidade os estupefacta ou os indigna ou que é assim que se governa? Ou que o presidente não põe mão em assuntos de interesses terceirenses, e que o secretário da economia se coíbe de intervir (já a pensar nas inaugurações, a todo custo), dando uma imagem de incapacidade?…

Mas muitas outras questões se podem colocar, sabendo que estas operações demoram tempo e que este governo teve disponíveis 33 milhões de euros, tendo entretanto aumentado os prazos de pagamento da saúde e atrasado outros pagamentos, fazendo sofrer muitas empresas açorianas.

A primeira leitura a fazer é que, quando este governo quer, resolve mesmo os assuntos, mas este raciocínio também se aplica ao contrário, ou seja, quando o governo não quer, não resolve, de nada servindo a dita equidade.

O segundo raciocínio é que a equidade deste governo é mais eficaz para S. Miguel e para a Terceira, não conseguindo este Vice ser tão magnânimo nas questões que impliquem o Faial.

Não o vimos relativamente a muitas matérias, e nalgumas que envolveram os mesmos protagonistas e verbas públicas, e fez exatamente o contrário no Faial com a fábrica do peixe, pois neste caso a ação foi no sentido de criar um elefante branco na cidade da Horta e não moveu uma palha para ser eficiente e eficaz, tendo mandando dezenas de trabalhadores para o desemprego, com subsídios à empresa conserveira.

A equidade ficou ferida e os Faialenses estão indignados com os que atentam contra a equidade e com os Pilatos que, ausentes e mudos, lavam as mãos dos assuntos relativos ao Faial.

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