Hospital da Horta – Conselho de Administração garante que não há aumento “exponencial” das infeções após cirurgias

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O aparecimento de infeções no pós-operatório em pacientes e a existência de bactérias hospitalares nos vários serviços do Hospital da Horta tem preocupado a população faialense.
A este respeito, o Conselho de Administração do Hospital da Horta (CAHH) garantiu ao Tribuna das Ilhas (TI) que existe “uma vigilância de todas as infeções que se desenvolvem dentro do Hospital” e que a taxa de infeções de local cirúrgico é na ordem dos 5%.

O risco de contrair uma infeção hospitalar é mais frequente do que se pensa.
Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Programa Nacional de Controlo da Infeção (PNCI) anualmente cerca 100 mil pessoas contraem uma contaminação numa unidade de saúde em Portugal.
As infeções hospitalares podem ter origem numa pessoa que levou a bactéria do exterior ou num vírus já existente no hospital. De acordo com a mesma fonte, em Portugal a taxa de prevalência da infeção rondava os 8% em 2003 e tornou-se fatal para cerca de 10 mil pacientes.
A presença de infeções no pós-operatório em pacientes e a existência de bactérias hospitalares nos vários serviços do Hospital da Horta é algo que também tem incomodado a população faialense nos últimos tempos. Ainda recentemente o Secretário da Saúde Rui Luís abriu um inquérito com vista a esclarecer os factos que levaram à morte de um paciente devido a uma suposta infeção hospitalar.
Sobre este assunto o CAHH, revelou a este semanário que estas matérias têm merecido toda a sua “atenção”, mas apesar de “haver uma vigilância de todas as infeções que se desenvolvem dentro do Hospital, infelizmente, estas são situações inerentes à atividade habitual de uma unidade hospitalar”, lamentou.
“O acompanhamento que é feito das situações permite-nos esclarecer que não temos registado um aumento exponencial das infeções após cirurgias. Comparando o primeiro semestre de 2018 com igual período de 2017, verificamos que as infeções de local cirúrgico mantêm-se na ordem dos 5%”, avançou ao TI o CA desta unidade hospitalar, acrescentando que “de acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), a taxa de infeção de local cirúrgico, consoante o tipo de cirurgia, poderá variar entre 0,5% e 15%”.
A este respeito o CAHH, garantiu ainda a este semanário que “os profissionais do Hospital da Horta colocam em prática todos os cuidados de saúde previstos para estas situações”. Contudo, “nem todas as situações são ultrapassadas, sobretudo quando associadas a outras complicações”, explicou.
“A maioria das infeções acontecem em doentes que já têm um quadro clínico propício ao desenvolvimento de infeções provocadas por microrganismos do próprio doente e não por fatores externos, facto comprovado em diversos estudos internacionais”, esclareceu ainda o CAHH, assegurando que “são tomadas todas as medidas que visam a segurança do doente, privilegiando ações preventivas que evitem as situações mencionadas”, frisou.
Outra questão colocada pela nossa redação prendeu-se com o funcionamento do Bloco Operatório (BO) e o seu possível encerramento.
Relativamente a este assunto, o Conselho de Administração negou o encerramento do BO, assegurando que “continuam a realizar-se cirurgias, quer de urgência, quer programadas”.
Neste contexto, o CAHH, esclareceu também que “nos últimos anos, por motivos de gestão de recursos humanos, há uma redução de produção cirúrgica no mês de agosto”, e que o “cancelamento de cirurgias se deve a problemas relacionados com o sistema de arrefecimento”.
“O facto de termos atualmente a funcionar equipamentos com menor capacidade, nos dias em que se registaram temperaturas e níveis de humidade elevados foram, efetivamente, canceladas algumas cirurgias”, confirmou o CAHH.
Esta situação é justificada pelo Conselho de Administração do Hospital da Horta com o facto de se tratar de um sistema que necessita de “material específico e com características próprias, e tendo coincidido com o período de férias das casas comerciais que os têm, não foi possível a instalação de uma solução com a capacidade necessária”.
Em Portugal por dia, 12 pessoas morrem com infeções hospitalares. As mortes associadas a contaminações durante internamentos são sete vezes superiores aos óbitos por acidentes de viação em Portugal.
Esta patologia causada por internamentos somou 2973 vítimas em 2010 e em 2013 já ascendia a 4606 mortos. Em apenas três anos, os hospitais públicos portugueses foram palco de um aumento de 55% nos óbitos relacionados com material clínico invasivo, que implica entrar no organismo, de acordo com dados dos institutos de medicina legal.
Segundo um estudo da Gulbenkian, Portugal apresenta não só um dos piores desempenhos na prevenção e controlo das infeções, que incluem ainda a contaminação por via não invasiva, como esse valor (10,5%) é quase o dobro da média europeia, 5,7%. 

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