Hospital da Horta – Médicos exigem demissão do Conselho de Administração e do Diretor Clínico

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Num abaixo-assinado elaborado no passado mês de dezembro, os médicos do Hospital da Horta acusam o diretor clínico de ter atitudes “prepotentes” e “desrespeitosas” para com a classe médica.
Como forma de demonstrar o seu desagrado e insatisfação para com estas atitudes de Rui Suzano e o recente processo disciplinar instaurado à Dr.ª Alexandra Lopes, otorrinolaringologista, os médicos desta unidade hospitalar exigem a demissão do diretor clínico e do Conselho de Administração.

No passado mês de dezembro, na sequência do processo disciplinar instaurado à Dr.ª Alexandra Lopes, otorrinolaringologista, os médicos do Hospital da Horta (HH) reuniram-se e elaboram um abaixo-assinado onde demonstram a sua “insatisfação” e “desagrado” para com as atitudes de Rui Suzano, diretor clínico desta unidade hospitalar.
No abaixo-assinado, ao qual o Tribuna das Ilhas (TI) teve acesso, os médicos denunciam “a insatisfação na resposta obtida, ao pedido de esclarecimento em relação ao modo como o processo disciplinar foi instaurado à Dra. Alexandra”, que no seu entender, “demonstra um perfeito desrespeito pela classe médica, denotando um comportamento autoritário, não consentâneo com a gestão democrática da governação clínica”, referem.
Do mesmo modo, a classe médica pretende ainda demonstrar o seu “desagrado por todas as atitudes prévias tidas pelo Sr. Diretor Clínico perante os colegas, algumas das quais com repercussões diretas no desempenho da atividade assistencial e no acesso e bem-estar do doente/utente”, lê-se ainda.
Algumas das denúncias mencionadas no documento passam por “atitudes déspotas, prepotentes, arrogantes e intolerantes perante os colegas, incluindo diretores de Serviço e médicos com cargos de chefia na instituição, com atropelos grosseiros ao Código Deontológico da classe médica”, observam os profissionais de Saúde do HH.
Os médicos acusam também o diretor de “quebra reiterada do sigilo profissional ao instigar publicamente, nomeadamente em espaços públicos, discussões acerca de casos clínicos, considerados por isso, como confidenciais”, de “inconformidades reiteradas, ao assumir de forma unipessoal a orientação/decisão final dos processos das Juntas Médicas, quando deveriam ser dois médicos a fazê-lo”, bem como de “gestão da atividade médica realizada de forma egocêntrica e antidemocrática, impedindo a liberdade de atuação e prática da atividade médica assistencial individual”.
Segundo a classe médica, Rui Suzano tem ainda “atitudes de desconfiança” e faz “acusações constantes, chantagem, assédio, perseguição, ameaças e maus tratos verbais a muitos dos médicos da instituição, em privado ou publicamente”, para além de ter “atitudes contraditórias em relação a opiniões, decisões ou procedimentos por ele orientados, manifestando um comportamento errático e potencialmente desigual, para com os médicos da instituição”.
Os profissionais de saúde do HH não esquecem a “insuficiência de médicos na direção clínica”, na qual Rui Suzano tem apenas um adjunto, desde há vários meses, “quando deveria ter mais um ou dois elementos, após demissão sistemática dos clínicos convidados para aquelas funções, concretamente de cinco elementos médicos, desde o início de funções nesta direção”.
Por fim, os médicos consideram no abaixo-assinado que o diretor clínico dificulta o acesso à Consulta Externa para avaliação de situações clínicas agudas, obrigando os pacientes a dirigirem-se de forma “desnecessária” ao Serviço de Urgência “com aquilo que se pode considerar uma falsa urgência, para posterior referenciação, o que é desaconselhado em todos os hospitais do país, por não ser considerada uma boa prática médica”.
Relativamente ao Conselho de Administração (CA) do HH, os médicos sublinham que o mesmo “não só tem conhecimento dos factos acima citados, como é corresponsável pela prática dos mesmos, instigando alguns dos comportamentos perante a classe médica, tendo neste tipo de atitudes, o Sr. Presidente do CA, um papel preponderante”.
Por todas estas denuncias e acusações acima referidas, a classe média afirma ter uma “total falta de confiança” no CA, pedindo a sua demissão num “prazo de 30 dias a partir da data de emissão deste documento”.
Os médicos acrescentam, que caso de o CA não cumpra com esta exigência, vão “tomar as atitudes consideradas como necessárias, para fazer prevalecer o bom senso, a deontologia e a democracia no exercício da boa prática médica, salvaguardando os direitos dos utentes/doentes”, garantem.
Os médicos adiantam ainda que o documento será remetido ao secretário regional da Saúde para que “possa decidir em conformidade, perante esta nossa denúncia”, assim como à presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
No âmbito deste assunto, o TI questionou o CA do hospital sobre o abaixo-assinado.
Na sua resposta, o Presidente e os restantes membros do CA do Hospital da Horta “entendem que não devem emitir qualquer reação tendo por base as notícias que vieram a público nos órgãos de comunicação social, dado que não receberam até ao momento qualquer abaixo-assinado, nem têm conhecimento do seu conteúdo e como tal reservam a emissão da sua opinião para um momento mais apropriado”, avançam.
O CA sublinha ainda estar a aguardar “serenamente a entrega do documento, na certeza de que adotará todos as medidas que entenda necessárias para o esclarecimento de qualquer dúvida que possa existir e a bem da reposição da verdade, mesmo que para tal tenha de recorrer a entidades externas devidamente habilitadas”, sustenta.
Por sua vez, o presidente do CA, João Morais demonstrou “surpresa e total estranheza pelas notícias que vieram a público”, visto que “os profissionais envolvidos neste baixo assinado, para além de não terem solicitado qualquer tipo de reunião”, nunca foram ao seu encontro “para colocar qualquer questão”, lamentando que tenham “utilizado esta forma para o fazer”.
Sobre o processo disciplinar instaurado à Dr.ª Alexandra Lopes, o CA diz “não ter nada a informar, por entender que assuntos desta natureza apenas dizem respeito ao órgão de gestão e aos seus colaboradores e como tal devem ser tratados e permanecer arquivados no seio da Instituição”.
Este jornal tentou ouvir ainda o diretor clínico, Rui Suzano, no entanto, até à data de fecho desta edição não obteve qualquer resposta do mesmo.
Entretanto, a Secretaria Regional da Saúde afirmou ao TI que “o secretário regional da Saúde tomou conhecimento do citado abaixo-assinado pela comunicação social”, salientando que o referido documento “ainda não deu entrada na Secretaria Regional da Saúde, pelo que se aguarda a sua entrega para verificar as questões que são colocadas pelos profissionais de saúde que o assinaram”.

 

 

PSD/Açores requer audição urgente com o secretário regional da Saúde

Na passada semana, os deputados do PSD/Açores requereram, com carácter urgente, uma audição do Secretário Regional da Saúde em comissão parlamentar com vista a que o Governo Regional dê explicações sobre o funcionamento do Hospital da Horta, os procedimentos da direção clínica e o condicionamento do acesso dos utentes aos cuidados de saúde.
Carlos Ferreira afirmou que “o funcionamento correto do Hospital da Horta não pode ser colocado em causa, quer por critérios exclusivamente economicistas, quer por estilos de liderança que não se predispõem ao diálogo com a comunidade hospitalar e desencadeiam problemas com repercussões na assistência médica a prestar à população”.
No requerimento entregue na ALRAA, os deputados avançam terem conhecimento de “um número crescente de reclamações de utentes que se queixam dos cuidados de saúde” prestados no HH, e, sobretudo da “recusa de exames médicos e de deslocações para realização de exames, mesmo contrariando as indicações dos médicos especialistas”, o que para os parlamentares “é uma restrição inaceitável no acesso à saúde”.
Sobre o abaixo-assinado, Carlos Ferreira afirmou que “esta é uma situação extremamente preocupante, porque um ambiente profissional nada saudável pode prejudicar o regular funcionamento” desta unidade hospitalar.
“Os faialenses merecem e exigem que o Governo preste as explicações que se impõem sobre os problemas que afetam o funcionamento do Hospital da Horta”, defende o social-democrata.

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