I – Apoio social em tempo de crise – II – Fado, património imaterial da Humanidade

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I – A nossa sociedade mudou. A crise que se abateu sobre a Europa é de tal monta que todos a sentimos na pele. As medidas de austeridade que se impõem sobre as pessoas são de tal ordem que todos os dias os portugueses sentem que lhes estão a mexer no bolso, como se costuma dizer!

A Região Autónoma aprovou o seu Plano e Orçamento para 2012. O enfoque destes instrumentos reguladores de gestão na Região vai, como não podia deixar de ser numa altura como esta, para o apoio às famílias e às empresas. A época das grandes obras terminou. A sociedade precisa agora que os Governos tenham especial atenção nos que mais sofrem e perdem com esta crise.

 E neste campo, é de louvar o investimento que tem sido feito na ilha do Faial, dotando-a de equipamentos de apoio social, que se revelam essenciais para as famílias. Realço a construção de dois centros de apoio a idosos nas freguesias da Conceição e dos Flamengos. No primeiro caso, trata-se de um Centro de Dia, equipamento este já inaugurado, no qual os idosos poderão estar ocupados, tendo um sítio onde estar durante o dia, combatendo assim a solidão e eventuais carências, com todo o tipo de apoio profissional, regressando à noite às suas casas. No caso dos Flamengos, a valência será brevemente inaugurada e inclui, além do Centro de Dia, um Centro de Noite, o primeiro do seu género a nível Açores, que permite aos idosos permanecerem naquele espaço igualmente durante a noite, dando apoio a pessoas que já não se sentem confortáveis, nem têm condições de passar a noite sozinhas nas suas casas.

No decorrer da campanha eleitoral para as últimas eleições legislativas nacionais visitei instituições como o Lar das Criancinhas e o Colégio de Santo António, deparando-me com uma realidade preocupante na nossa ilha: a da extensa lista de espera para as creches. A lista de espera ascende a 150 crianças o que é de facto inquietante, quando todos sabemos que a população açoriana está envelhecida e se deve apostar num incremento da natalidade.

No entanto, foi com muito agrado que tive notícia da aprovação de uma proposta de alteração ao Plano da Região, apresentada pelo Grupo Parlamentar do PS, no sentido de  ser incluída a construção de uma creche nos Flamengos, com capacidade para 75 crianças, integrada no Centro Comunitário do Divino Espírito Santo, valência que alberga o Centro de Noite já referido.

Este tipo de equipamentos revela-se importantíssimo por duas razões: além de trazer notórias mais-valias a nível do apoio fundamental que presta às famílias, assume também grande importância por ser gerador de emprego. Estima-se que só com a abertura da creche, sejam gerados à volta de 20 postos de trabalho.

Assim fica mais uma vez demonstrada a importância que dá o Governo Regional a estas áreas, seguindo um caminho de apoio às famílias açorianas que não podemos deixar de enaltecer.

 

 

II – Foi com um grande orgulho na nossa cultura que soube que a UNESCO aprovou o Fado como Património Imaterial da Humanidade.  Estamos perante uma distinção criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura para a protecção e o reconhecimento do património cultural imaterial, abrangendo as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras.

O Fado representa um povo, uma forma de estar e é inegavelmente um elo de ligação entre os portugueses, sendo reconhecido internacionalmente.

Esta canção nasceu em Lisboa e era cantada e tocada nos bairros típicos da capital, como Alfama e Mouraria. A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa, cigana e prostituta, que residia na Mouraria. Maria Severa era amante do Conde do Vimioso, e o romance entre ambos era tema de muitos dos fados que cantava.

O Fado canta o típico sentimento português, a saudade, canta a nostalgia, o ciúme, e pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos de Lisboa, temas estes permitidos pela censura dos tempos do Estado Novo. Todo o tipo de letras que alertasse para temas sociais eram proibidos pela censura.

É por esta altura que surge Amália Rodrigues que iniciou o que se designa de fado moderno. A voz de Amália levou a nossa canção e o nosso povo além-fronteiras, trazendo uma nova dimensão à canção nacional. De então até aos nossos dias, muitos outros seguiram as pisadas de internacionalização do fado, levando-o aos top´s nacionais e da "world music" e a um público mais jovem.

Mas o fado não deve ser visto apenas como uma canção. Estamos perante o património de um povo, que foi agora reconhecidamente distinguido pela UNESCO. Numa altura em que tudo parece dominado pela crise, são notícias como esta que nos fazem ter orgulho em sermos Portugueses

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Horta, 5 de Dezembro de 2011

 



 

 

 

 

 

 

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