João Garcia de Matos Júnior, natural da freguesia das Angústias da cidade da Horta foi um dos emigrantes faialenses que mais se destacou nos Estados Unidos da América do Norte. Filho primogénito de João Garcia de Matos e de Emília Augusta de Sousa Matos, nasceu a 1 de Agosto de 1864 e aos 14 anos emigrou com seus pais e irmãos (Emília de 11, Maria de 9, Adelina de 4, Manuel de 3 e Ana de 10 meses) no vapor “Mississipi”, em Junho de 1879, com destino à Califórnia, fixando residência em Centerville. Trabalhou como carpinteiro e, simultaneamente, continuou os estudos que iniciara na sua terra natal, concluindo o curso de Direito.
João G. de Matos Jr., que se naturalizara americano em 31 de Julho de 1886, tornou-se membro muito activo do Partido Republicano, acumulando, naquela difícil época de afirmação dos portugueses na América, uma carreira profissional, cívica e política deveras notável.
Efectivamente, em 1888 – com apenas 24 anos – foi eleito dirigente das equipas construtoras das estradas do Distrito de Centerville, sendo reeleito em 1890, para o mesmo cargo, por mais dois anos. Em 1891 assumiu a colocação de avaliador de Washington Township, posição que ocupou durante um quadriénio.
Aos 31 anos – em 1900, portanto – João G. de Matos Jr. foi eleito deputado estadual, como candidato do Partido Republicano, passando, desde então, a ser uma figura na política da Califórnia. O modo inteligente e eficaz como desempenhou o mandato e o prestígio que granjeara valeram-lhe, em 1902, a reeleição por uma maioria esmagadora, prova inequívoca da sua popularidade. Na Assembleia Estadual seria presidente da comissão de obras públicas e da comissão de educação Outros cargos importantes, porém, estavam-lhe destinados, Assim, em 1903 o governador do Estado da Califórnia, Henry Gage, nomeou-o director do Centro e Escola das Crianças Cegas, Surdas e Mudas, função que exerceu durante cinco anos, Entretanto, em 1904, candidatou-se a senador da Califórnia, sendo eleito sem oposição devido a desistência do seu adversário do Partido Democrático que, prevendo derrota certa, desistiu à ‘boca das urnas’. Até 1907 João G. Matos Jr. foi um seguro e competente membro do Senado da Califórnia. Nesse ano, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, nomeou-o Director da Alfândega (‘Chefe de Avaliação de Mercadorias’) do porto de São Francisco, um dos mais importantes da América. O exercício desse alto ofício, durante sete anos consecutivos, trouxe-lhe uma grande e sólida influência em todo o Estado da Califórnia, o que naturalmente terá levado o governador William Stephens a designá-lo, em 1918, membro da Junta de Directores das Prisões Estaduais, incluindo a tristemente famosa penitenciária de São Quentin, onde terá manifestado aos reclusos o seu sentido de independência, de humanidade e de justiça. Aliás, e cumulativamente com as funções públicas e políticas, João G. de Matos Jr. exercia, desde 1897, a profissão de advogado e de solicitador, sendo nomeado em 1917 juiz de paz do distrito de Centerville, aí se revelando – de acordo com um dos seus biógrafos – “o magistrado incorruptível e íntegro, justo mas bondoso”, sendo que “as suas sentenças eram, muitas vezes, sábios conselhos, belos ensinamentos que corrigiam, mas não feriam”, o que explica que “durante os sete anos de exercício do cargo procedeu, apenas, a duas prisões” 1.
Não obstante as várias e exigentes funções públicas que exerceu, João G. de Matos Jr. jamais esqueceu as suas origens, mantendo-se “muito amante da sua terra e sempre pronto a auxiliar os seus patrícios” integrando e favorecendo instituições educativas e de solidariedade social. Ele foi o terceiro presidente da poderosa União Portuguesa do Estado da Califórnia (UPEC), eleito nas convenções de Sacramento (1895) e de Pleasanton (1896). Membro desta centenária e benemérita associação desde 1888 – fundada em 1880 – nela ocupou, além da presidência, os mais variados cargos, nomeadamente o de tesoureiro supremo durante três décadas (1898-1929), deixando-a numa excelente situação financeira, com um superavit de mais de 5 milhões de dólares, o que lhe permitia acorrer solidariamente aos seus associados mais carenciados. João G. de Matos Jr. foi também director do Bank of Italy, em São Francisco (hoje Bank of America) e patrocinou generosamente a Escola de Centerville, onde iniciou a sua caminhada académica na Califórnia e que actualmente o perpetua denominando-se “John G. Mattos Elementary School” em testemunho dos muitos serviços que prestou à Educação e à Comunidade. Curiosamente, Centerville é hoje uma das zonas de Fremont que é, como se sabe, cidade-irmã da Horta de onde Matos era natural.
Tendo casado com Ana E. Mattos, não deixou descendência. Faleceu a 26 de Junho de 1933 e foi sepultado no Holy Sepulcre Cemetery de Hayward, Califórnia2 .
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)
1 Ferro, António – in Diário de Notícias, cit. por A Democracia, 22 Outubro 1927
2 Vd. Almeida, Carlos –Portuguese Immigrants (The Centennial Story of the Portuguese Union of the State of California), pp. 158 e159, San Leandro, 1978












