Jovens faialenses partilham experiência de seis meses a bordo do navio escola Regina Maris

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Bartolomeu Ribeiro e Júlia Branco, são dois jovens faialenses que decidiram embarcar numa aventura pelo Atlântico a bordo do navio à vela Regina Maris.

Os dois amigos partiram de Amesterdão em outubro integrados no projeto School at Sea Foudation que tem sede na Holanda, que este ano, pela primeira vez, abriu portas à participação de alunos de outros países e que dá possibilidade a 34 jovens, com idades entre os 14 e os 17 anos, fazerem parte do ano letivo a bordo de um navio, experienciando a vida a bordo, desde a cozinha à navegação, passando pela manutenção do navio, meteorologia e limpeza.

Esta viagem terminou em de abril e os jovens partilharam com o Tribuna das Ilhas a sua aventura a bordo.

A aventura de Júlia e Bartolomeu começa quando a jovem de 15 anos foi visitar o navio escola Regina Maris, durante uma escala que fez na Horta, em abril em 2014. Entusiasmada com o que viu, chegou a casa e disse aos pais: “quero ir para o School at Sea”. Partilhou a sua vontade com o seu amigo Bartolomeu que achou a ideia fantástica que se juntou de imediato a Júlia para embarcar nesta proeza. Começaram a trocar ideias e foi ai que teve início a maior aventura das suas vidas.

Participar neste projeto implicava, para além do apuramento nas provas de seleção, para avaliar o perfil psicológico, a motivação e o desempenho escolar, ao pagamento 21.000€, que os dois amigos tiveram de reunir. “Comecei logo a ver empresas que poderiam patrocinar e a ter umas ideias e foi ai que o processo começou. Depois chegámos ao nosso principal patrocinador que é a COFACO”, que suportou metade das propinas, adianta Júlia. “Não foi fácil arranjar patrocínios, foi um processo bastante complicado”, revelam.
Júlia explica que conseguir patrocinadores, foi mesmo, a maior dificuldade que encontraram. “Este é um projeto muito inovador e então ninguém, as empresas não estão prontas a receber um pedido de patrocínio para um aluno do secundário que quer ir estudar num barco durante seis meses para as Caraíbas”, no entanto, admite “houve de facto pessoas que se interessaram e que quiseram apoiar e possibilitar que projetos novos entrassem em Portugal”, disse.
O apoio da família na concretização deste sonho foi para ambos fundamental. Bartolomeu, revela que “os meus pais receberam bem a ideia e não podiam ter sido melhores. Acharam a ideia fantástica e quiseram começar a trabalhar comigo a ajudar-me naquilo que eu precisasse, ajudaram-me muito. Foram mesmo grande parte do coração deste projeto, sem eles era impossível”, assume.
Também os pais de Júlia “foram muito recetivos à ideia”, revela a jovem adiantando que “os meus pais foram uma componente muito importante porque sempre me ajudaram e têm vivido esta aventura comigo, o que tornou tudo mais fácil”.
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Ligados ao mar pela prática da vela, a ideia de estudar seis meses a bordo de um navio à vela pelo Atlântico Norte revelou-se como uma oportunidade única nas suas vidas e a “experiência foi espetacular”, confessam.
Os amigos admitem que no início a adaptação ao barco, à cultura e estarem longe de casa e da família não foi fácil. “No princípio foi um bocadinho um choque, porque mudou tudo, não foi só os hábitos normais de viver numa casa e passar para um barco, onde tudo diminui de tamanho, foi também a questão da língua e da cultura ser completamente diferente. Mas eu acredito sinceramente, ainda que o choque inicial tenha sido bastante sentido, depois acabou por se dissipar e correu tudo bem”, adianta Júlia.
Nos primeiros tempos confessa a jovem a coisa mais difícil foi mesmo a distância da família, “mas acabei por me adaptar e acabou por passar, até porque eu sabia que tinha a minha família a acompanhar-me ainda que eu não tivesse a falar com eles todos os dias e isso acabou por deixar de ser um problema”. Para Júlia, o que foi mesmo mais difícil foi “a instabilidade, mas eu acho que essa é mesmo uma parte do projeto. Nós temos de nos habituar a lidar com a instabilidade e isso foi muito positivo”.
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Para Bartolomeu a adaptação à nova “casa”, também não foi fácil. “No início foi estranho, senti-me muito pouco adaptado, era tudo diferente, a cultura, a língua, custou-me um pouco a habituar, mas depois consegui e correu bem”, disse. No entanto, o jovem denuncia que houve dois momentos, que foram para si os mais difíceis: “a adaptação ao barco e depois a casa. Foi difícil de adaptar, porque são os dois tão diferentes. Tanto num lado como no outro são sítios completamente diferentes e de difícil adaptação”, salienta.

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