Liberdades

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 O novo diploma sobre a cobertura jornalística das eleições é, no mínimo, ridículo, já para  não dizer, que é um atentado à liberdade de imprensa. 

O documento versa sobre a cobertura jornalística das eleições e propõe que os órgãos de comunicação social entreguem um plano de cobertura do sufrágio a uma comissão mista que irá validá-lo, prevendo que caso haja incumprimento desta medida as multas possam chegar aos 50.000 euros.

Esta proposta prevê que os media que façam cobertura do período eleitoral entreguem, “antes do início do período de pré-campanha, o seu plano de cobertura dos procedimentos eleitorais, identificando, nomeadamente, o modelo de cobertura das ações de campanha das diversas candidaturas que se apresentem a sufrágio”, a uma comissão composta por representantes da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e da ERC.

O plano de cobertura a ser enviado à comissão, a qual irá validar o mesmo, inclui ainda a realização de entrevistas e de debates, reportagens alargadas, emissões especiais ou de outros formatos informativos, com o objetivo de assegurar os “princípios orientadores da cobertura jornalística em período eleitoral”.

Ao aprovar este diploma estamos a abrir um precedente como não há igual nestes 40 anos em que Portugal se diz democrata e livre. 

Só nos vem à ideia que voltamos à censura. 

Estamos piores do que no Estado Islâmico em que foram publicadas onze  “regras” para jornalistas…

Decorridos 41 anos sobre a conquista de uma democracia livre, o Estado não pode arrogar-se o poder de ter competência editorial, impedindo ou condicionando o trabalho dos jornalistas, por qualquer via. 

Qualquer dia exigem ler e aprovar as peças que são escritas. 

“O jornalismo é um pilar fundamental da democracia, é um compromisso com a liberdade e a independência, a pluralidade e a diversidade, a dignidade humana e o bem-estar social”, disse e bem Herberto Gomes, jornalista da televisão pública regional com  experiência comprovada, logo, não podemos deixar que diplomas como este sejam aprovados. 

É hora da classe jornalística se insurgir. Afinal de contas o que andamos aqui a fazer? 

Os senhores deputados da AR que façam o seu trabalho, que se preocupem com o que é realmente preocupante, ou seja, em traçar medidas que nos tirem deste fosso em que nos encontramos, em vez de andarem armados em “lápis azul”. 

Que façam o seu trabalho e nos deixem fazer o nosso.               

                                                                                                                           

 

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