Lilás está na moda no Grupo Central

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Se no inverno, devido ao acidente ocorrido com o navio “Mestre Simão”, a administração da Atlânticoline decidiu suspender a Linha Lilás, pois olhou para a frota que tinha à sua disposição e concluiu que não tinha navios que assegurassem esta ligação marítima, no passado dia 18 de junho, essa mesma administração, de forma inesperada, decidiu reabrir e colocar a Linha Lilás a funcionar a todo o gás.
Não se vislumbra qualquer inconveniente em tal facto, aliás, positivo para as ilhas que constituem o Grupo Central do Arquipélago dos Açores.
O inconcebível foi que, para voltar a pôr a navegar esta Linha Lilás, a Atlânticoline decidiu desviar o navio “Gilberto Mariano”, ou seja, o navio que diariamente é utilizado na travessia do Canal, por onde passam anualmente cerca de 500 mil pessoas, e a única rota que, possivelmente, dará algum lucro à empresa.
Não cuidando de acautelar os interesses dos cidadãos e empresários que diariamente navegam entre as ilhas do Faial e do Pico, bem como dos próprios turistas que escolhem estas ilhas para passar uns dias de férias, a administração da Atlânticoline decidiu, unilateralmente, abrir esta Linha com pompa e circunstância, transportando para as festas das Sanjoaninas, na ilha Terceira, pasme-se, apenas 5 passageiros.
É verdade, o navio “Gilberto Mariano” saiu do Faial e chegou à ilha Terceira com apenas 5 passageiros e regressou ao Faial com 6 pessoas.
Esta primeira viagem deveria, pois, ter sido a última, não só pelos significativos prejuízos financeiros tidos pela empresa com esta deslocação, mas, sobretudo, tendo em conta os critérios economicistas que têm levado a Atlânticoline a reduzir o número de viagens no Canal e a privação que causa aos cidadãos e à economia das ilhas do Canal a utilização deste navio durante o funcionamento da Linha Lilás.
Efetivamente não parece bastar ao Governo Regional os muitos milhões que todos os anos chegam à ilha Terceira oriundos do Orçamento de Estado, à conta da eventual contaminação dos solos, ou a despesa regional de muitos milhões de euros para a reabilitação de habitações da Base das Lajes, ou ainda a reabertura da ligação aérea Terceira-Porto, que há uns dias causava prejuízo e não se justificava.
Agora usa esta empresa pública para desviar até à Terceira, mesmo que temporariamente, o navio “Gilberto Mariano”, que tanta falta faz para a mobilidade inter-ilhas dos cidadãos do canal. Se existem e estão fretados navios para a atividade sazonal da Atlânticoline, então a empresa que os utilize para a Linha Lilás, não prejudicando os cidadãos que todos os dias atravessam o canal Faial-Pico.
E para acicatar mais os ânimos, mostrando uma clara tendência de beneficio da ilha Terceira em prejuízo dos cidadãos faialenses e picoenses, o PS/Açores através da deputada Mónica Rocha veio dizer que a reabertura da Linha Lilás resulta do facto de estarem “reunidas as condições estruturais e os equipamentos necessários ao seu funcionamento regular”.
Perdão Sr.ª deputada, vivemos no mesmo arquipélago? O que é que mudou desde o acidente do navio “Mestre Simão”? A que equipamentos é que se refere? Já foi construído e está a operar o novo navio da Atlânticoline?
Antecipando as respostas, penso que nada dirão de novo. Por isso, seria importante que o PS/Açores justificasse as suas afirmações e esclarecesse a opinião pública do Faial e do Pico se a operação da Linha Lilás é temporária ou passará a ser regular, utilizando o navio “Gilberto Mariano”.
E seria também fundamental ouvir o que tem a dizer a este propósito o novo líder do PS/Faial, Tiago Branco, se aceita ou repudia as afirmações da sua colega parlamentar, se é a favor ou contra a utilização do “Gilberto Mariano” nesta operação, ou se aceita que o Faial se veja despojado de mais um fundamental meio de transporte, que coarcta o seu desenvolvimento económico, pois, caso permaneça calado, arriscamo-nos um dia destes a ver a Linha Lilás mudar de tonalidade e transformar-se em Linha Rosa.

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