Mais um Dia Internacional da Mulher

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A celebração do Dia Internacional da Mulher, a 8 de Março, convida sempre a glosar o mote, com uma interpelação muito direcionada para as mulheres. Eu, porém, nunca me senti tentada a fazê-lo. Sempre me assumi como personalista, e não feminista ou machista; sempre me afirmei como defensora dos direitos humanos, iguais para todos e sem valorizar qualquer caraterística supostamente identitária de qualquer pessoa. Compreender-se-á assim – creio – a minha fraca apetência pelas perspectivas de género que dividem (a sociedade em grupos) mais do que uniem, o que apenas o personalismo será capaz de almejar. 

Hoje, porém, não enjeito a oportunidade de abordar o estatuto da mulher na sociedade contemporânea pela perplexidade que me causaram as notícias que vieram a lume nos últimos dias sobre a discrepância de remuneração entre mulheres e homens. Na Europa, no continente em que os direitos humanos mais plenamente se encontram cumpridos, onde o Estado social mais se encontra desenvolvido, as mulheres precisam de trabalhar mais 59 dias/ano para ganhar o mesmo do que os homens. Estes números da desigualdade mais do que humilhantes para as mulheres devem ser uma vergonha para a nossa sociedade.

Se, como personalista, não posso advogar o princípio de discriminação positiva para as mulheres, quando tomo conhecimento destes números sou obrigada, enquanto personalista, a considerar que a discriminação positiva se justifica (não como princípio mas) como estratégia para construir a igualdade entre todas as pessoas que tarda em acontecer. Enquanto precisarmos de uma prática de discriminatória – de discriminação positiva, legalmente estabelecida, para compensar a discriminação negativa, naturalmente exercida – para promover a igualdade seremos testemunhas de um ideal não alcançado, de um direito não cumprido, de uma justa expectativa injustamente defraudada.

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