MINHA PANCADA – Mineração nos campos hidrotermais e os Açores

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O oceano nos assombra com sua beleza e com sua força. Caso ele morresse, a Humanidade morreria junto com ele. Como é que os decisores políticos e uma industria ávida de lucro – tratam os nossos oceanos? Como um precioso recurso? Não. Está sendo tratado como um esgoto global, e os recursos biológicos, tendem a ser delapidados. Por isso, partilho a minha reflexão se a exploração mineira dos fundos marinhos pode afetar os ecossistemas oceânicos.
“Há depósitos no solo marinho que poderão ser explorados comercialmente. Estamos a falar de metais, mas também de fosfatos e hidratos de metano. Isto desperta muitos interesses”, afirma Ian Stewart, responsável pelo Projeto Midas. Esforços já estão sendo conduzidos para extrair cobre, zinco, chumbo, prata e mesmo ouro em depósitos nestas áreas, assim como para exploração de óleo, gás e hidratos de metano nelas. A UE lançou em 2014 a estratégia “crescimento azul”. Nesta estratégia, é dada prioridade à aquicultura, turismo marítimo costeiro, aproveitamento da energia das ondas, biotecnologia marinha e exploração minera do mar profundo, num enquadramento de respeito ambiental, recetibilidade social e viabilidade económica.
Segundo o eurodeputado Dr. Ricardo Serrão Santos, ex-Diretor do DOP, “é necessário garantir que não há perdas irreversíveis nos ecossistemas”. Reconhece que a biodiversidade e os ecossistemas nos Açores são um ativo económico relevante quer para o turismo quer para as pescas – se feitos de uma forma sustentável. Mais de 99% dos fundos marinhos dos Açores são Mar profundo. Garante que o GRA mantém um diálogo com a industria interessada, mas sem abdicar dos princípios de sustentabilidade e de prudência sustentados em informação científica. Isto deve ser inegociável. Todavia, o Governo da República chamou a si o direito de conduzir este processo.
Para Ian Stewart, “quanto mais informações os cientistas recolherem, melhor. Temos de aprofundar os conhecimentos sobre a resposta dos ecossistemas à mineração. Caso contrário, será muito difícil estimar os efeitos que essa atividade poderá produzir.” As consequências estão por apurar. A criação de áreas marinhas protegidas com restrições à exploração é fundamental, bem como uma fiscalização eficaz. Mas, isso será suficiente?
Como suporte da Vida marinha, as chaminés hidrotermais expelem gases e minerais, incluindo sulfatos, metano, hidrogénio, e também ferro, um dos nutrientes que limitam o crescimento excessivo do plâncton. Nesse ambiente inóspito e sujeito a uma enorme pressão, possuí formas de vida bem adaptadas a este ambiente extremo (vermes, ameijoas, mexilhões, caranguejo-aranha, camarões, etc.) e em abundância. É o sulfeto de hidrogénio que fornece a energia às bactérias para fabricar seus nutrientes (quimiossíntese). As chaminés hidrotermais podem desaparecer ou ressurgir de tempos em tempos, que torna incerta a sobrevivência dos seres que vivem em seu redor. Algumas espécies migram para outras chaminés.
Além disso, as formas de vida nestes locais consomem 90% do metano libertado, impedindo que atinja a Atmosfera, onde como gás do efeito estufa é 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono. “Não tínhamos ideia do quão importante era este processo ecológico para o clima global” – diz Andrew Thurber, investigador e professor da Faculdade de Ciências da Terra, Atmosféricas e Oceânicas da Universidade do Estado do Oregon, EUA. Com o consumo de metano, estas formas de vida estão “evitando um evento climático apocalíptico” na Terra.
Um grupo de investigadores está a estudar a reação dos corais, junto ao monte submarino Condor, próximo da ilha do Faial. A saúde dos corais é um indicador da saúde dos oceanos e da Vida marinha. Nós queremos saber quais são as consequências da movimentação de sedimentos? Quais são as repercussões nas correntes oceânicas? Quais são as consequências a nível do ruído? Quais são as consequências para os cetáceos e peixes? Uma eventual exploração obriga à monitorização dos potenciais impactos da exploração mineral e a fazer recuperação dos ecossistemas. Isto já pressupõe o risco de existir riscos. Os Açorianos tem o direito de ser informados pela comunidade cientifica com factos e tem de ser ouvidos.

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