Mobilização!

0
16

O Faial tem para discussão pública uma proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde que, duma forma sintética, actualiza as atuais competências do Hospital da Horta e propõe a retirada de especialidades pilares da definição hospitalar, como são os serviços de Oncologia e de  Urologia e a Unidade de Cuidados Intensivos. Com este artigo, e de um modo generalista e sintético, pretendo levantar questões que poderão ajudar à reflexão dos Faialenses.

Primeira, a característica do documento. Trata-se de um documento político, técnico-político ou técnico e económico? Chega-se categoricamente à conclusão de que é um documento 100% político e nada técnico e muito menos económico, e por razões muito simples. Primeiro, porque surge na sequência da campanha para as legislativas, onde havia maravilhas prometidas em cartas, agendas e vias a serem apresentadas para a melhoria da qualidade dos Açorianos e, justiça seja feita, cá está o documento sufragado pelos Faialenses.

O documento continuou a ser político quando o então candidato a presidente disse nas obras do hospital que iria respeitar os pareceres técnicos relativos ao possível fecho de especialidades na Horta (que critiquei veementemente), porque a decisão deve ser sempre política e não técnica, pelo simples facto que a Autonomia dá poderes e a democracia dá poderes aos políticos para tomarem decisões diferentes dos pareceres técnicos. Sobretudo num Estado Social e numa Autonomia conquistados em Abril, com um governo de esquerda, defensor acérrimo do Estado social, no qual a Saúde é um pilar, castrar o Hospital da Horta desta maneira (e reforçando as mesmas valências noutros hospitais) não é técnico, mas sim político.

Até as questões técnicas constituem o fundamento de que esta decisão é política, porque à luz da sustentabilidade de serviços de organizações mundiais de saúde, muitas das especialidades que temos cá  não deveriam existir, ou seja, a existência do Hospital da Horta é, na sua essência, uma decisão política, mais uma vez advinda de Abril.

Em segundo lugar, analisemos o documento duma forma técnica e económica. Vendo as questões sob a perspetiva custo/benefício, e na medida em que os recursos financeiros são escassos, procurei identificar quais seriam as poupanças para a Região resultantes das opções de castrar o Faial, e qual o meu espanto (ou não) ao verificar que em números o bendito documento é completamente omisso! E por aqui deveria ficar e não analisar mais nada, pois este documento de técnico e financeiro de nada serve, ou talvez a única utilidade seja atirá-lo para uma fogueira de S. João. Mas o pior do documento é o preâmbulo, no qual se diz que o serviço regional de saúde tem muitos anos e deve ser reformulado por isso. Esta permissa é ridícula, assim teríamos que rever a democracia por ter os mesmos anos? A autonomia?! Afinal os pilares do estado social quais são?

A terceira reflexão que os Faialenses devem fazer (para além da justa questão porque estão a sangrar desta forma esta ilha?) é se temos poder para alterar este documento, para que continue esta parcela da autonomia a ser atrativa para as suas gentes, para que não tenham receio de viver num sítio isolado da Saúde, para que Abril se concretize, para que a Autonomia seja respeitada, para que os nossos turistas, caso tenham algum infortúnio, consigam ser minimamente tratados nesta ilha e principalmente para que quando estiver mau tempo e não houver evacuações não se morra à míngua… A resposta é obviamente SIM! Apesar de não termos ninguém no Governo, temos a nossa gente, a nossa primeira deputada e presidente da assembleia legislativa, que está calada na defesa do Faial, como esteve o seu antecessor faialense, mas ainda pode intervir. O vice presidente do município e mais uma vez candidato autárquico afirmou, perante um documento castrador, que o governo deve é valorizar o Hospital da Horta, isto é, em vez de retirar deve manter e aumentar (os Faialenses que registem os efeitos destas declarações!!). A oposição a este regime de falsa esquerda já fez o seu esforço e desempenhou o seu papel e veio a terreiro defender o Faial.

Em suma, temos um governo regional de esquerda, que atua e aplica a austeridade exatamente do mesmo modo que o governo de centro direita do continente, e que não é brilhante, na medida em que não consegue manter os pilares da autonomia e de uma Região Social numa região geograficamente dispersa, mesmo com escassez de recursos.

Como Faialense, custa-me, infelizmente, ouvir a frase “Como é bom ser Açoriano”, pois essa satisfação tem sido construída com austeridade aplicada ao bem-estar dos Faialenses, todavia sinto felizmente uma onda de mobilização popular que poderá ser algo de muito positivo nesta ilha… De facto, começa-se a ouvir a voz do povo do Faial, das pessoas, das famílias e dos trabalhadores; só estes  poderão mudar significativamente este documento…

Quero confiar que os Faialenses não vão deixar que este governo regional lhes tire os seus direitos conquistados em Abril e consagrados na Autonomia.

 

 

 

[email protected]

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!