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Município da Horta e a BTL – um binómio de sucesso ou um “ai Jesus”?

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Tendo por premissa potenciar novos contactos e promover os melhores negócios, assistimos na passada semana, em Lisboa, à realização do evento mais importante na área do turismo em Portugal. Falamos, naturalmente, de mais uma edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a sua 31.ª edição.

Presença obrigatória no calendário de feiras internacionais de turismo, este certame contou, ao longo dos 5 dias de duração, com 1.150 expositores que receberam nos pavilhões da Feira Internacional de Lisboa (FIL) 77.000 visitantes, dos quais 39.000 foram profissionais do turismo e 38.000 de público em geral.

Como é tradição, a Região Autónoma dos Açores também marcou presença com um Stand, um espaço que albergou as diversas ilhas e respetivas autarquias, entre elas a da cidade da Horta.

Integrada nesse espaço, conjuntamente com os restantes municípios do Triângulo, os elementos da comitiva faialense a mais esta feira de turismo levavam na bagagem a tentativa de promover e divulgar as potencialidades turísticas da nossa ilha junto de um público ávido por saber o que o Faial tem para lhes oferecer.

No entanto, a atestar pelo vídeo que circula nas redes sociais, o patamar a que o executivo municipal se propôs atingir aquando do anúncio da sua presença no certame dificilmente foi alcançado. Efetivamente, uma mera reportagem feita na BTL por parte de um jornalista da Rádio Atlântida e colocada online mostrou-nos, não só a nós faialenses, mas também a milhares de cidadãos espalhados por todo o mundo (9.3m visualizações) o quão impreparados estavam os nossos representantes nesta feira para lidar com quem quer que fosse.

Quando a estes foi feita a pergunta o que a Horta tem para oferecer a quem a visita, a resposta foi “festivais”, o festival da Semana do Mar. Ou quando foi perguntado quanto tempo demora e custa uma viagem de barco Faial/Pico, a dúvida instalou-se entre a representação faialense até que chegaram à conclusão que demora cerca de 20 a 25 m e o custo da viagem será à volta dos 5€.

Ups. Para além de não conseguirem discorrer em especifico sobre quaisquer outras potencialidades turísticas da ilha, as quais são enormes, esta impreparação faialense, esta falta de profissionalismo e de cuidado, demonstrou claramente que o Município não parece levar a sério este tipo de eventos.

Ouça-se o que disseram neste vídeo os representantes da Madalena ou das Lajes do Pico, para vermos a diferença no grau de importância que cada município do Triângulo entendeu atribuir a este evento.

Para estas feiras, que ocorrem uma vez por ano, onde se contata com os melhores e maiores operadores turísticos nacionais e internacionais e com um público exigente nas suas pretensões, há que estar munido das pessoas mais qualificadas e tecnicamente mais competentes nesta área específica, que dominem várias línguas e que consigam divulgar e promover o destino com rigor, com assertividade, junto de qualquer pessoa que aceda ou procure o nosso espaço.

Não assim sucedendo, os reflexos negativos que esta divulgação, emitida nas redes sociais, criou na imagem da ilha no exterior, só poderá e deverá ser imputada ao executivo camarário que preparou a presença neste importante certame turístico.

Mas esta evidência leva-me a outra questão que se relaciona com o facto de o Município da Horta, ao contrário do que sucedeu com outros municípios açorianos, não ter convidado nenhum órgão de comunicação social local a acompanhar esta sessão de divulgação e promoção da ilha do Faial.

Assim, enquanto lemos nas páginas desses jornais variadas reportagens, entrevistas e artigos de opinião acerca da presença de muitos municípios na BTL, por cá limitámo-nos a acompanhar o sucedido através das redes sociais.

Por tudo isto, se não aproveitarmos estes poucos espaços e momentos que surgem para nos promovermos além-fronteiras, captando fluxos turísticos diversificados, fundamentais para a economia da ilha, hoje em dia vocacionada para o turismo, então só nos resta mesmo dizer “ai Jesus”.

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