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Não há papéis pequenos…

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Por: Terry Costa

A frase “não há papéis pequenos, apenas atores pequenos” é uma dita famosa no teatro e no cinema, que significa que todos os papéis, todas as personagens, merecem total dedicação e empenho artístico, independentemente de quão breve seja o tempo em palco ou no ecrã. A citação é amplamente atribuída ao ator e encenador teatral russo, Konstantin Stanislavski, conhecido como o pai da representação moderna. Ele exigia que cada membro da sua companhia tratasse os papéis secundários ou sem falas com a mesma intensidade e profundidade que os papéis principais.

Um belo exemplo representando esta citação é o papel do “Dad” (pai) que Tomás Furtado de Melo representa no filme de Lilian T. Mehler, Honeyjoon, filmado nos Açores e atualmente a ser exibido por festivais nos quatro cantos do mundo. Neste caso, o jovem açoriano de pequeno nada tem. É um profissional que encarou mais um dia de trabalho como se fosse o seu maior papel. Quem conhece o Tomás sabe que é ele no grande ecrã, mas só nos últimos segundos do filme se apercebe do quanto valeu a pena. Tomás Furtado de Melo é o recipiente do Prémio Audiovisual Açoriano “Novo Talento”, atribuído pela MiratecArts em 2025, e além de em “Honeyjoon”, pode ser visto este ano nos cinemas, nos filmes “Ela Olhava sem ver Nada” de Fanny Ardant e “Não Resta Nada” de André Godinho.

Na minha experiência com talentos açorianos noto que poucos dão valor ao que fazem, e muito menos promovem-no. Às vezes podemos ser “pequenos” em altura, mas não somos nada pequenos em talento, ideias e criatividade. Algo que os nossos conterrâneos americanos sabem e o fazem com pompa e circunstância é a promoção. Aprendemos tanto uns com os outros, porque não aprendemos isto? A massa criativa açoriana tem que sair de casa, promover os seus trabalhos, apoiar os seus colegas, só assim conseguimos dar um passo para mais visibilidade. Os Açores têm festivais culturais artísticos, incluindo festivais de cinema, que vão muito mais além das festas de verão, e são uma excelente oportunidade para começar em casa com o intuito de conquistar o mundo do audiovisual e cinema. Além dos festivais produzidos pela MiratecArts, incluindo Shorts@Fringe por todo o arquipélago, lembro o Curta Açores na Ribeira Grande, Ala Q´Andar, a nova oferta que vai percorrer as nove ilhas nos próximos meses, e parte da programação oficial de Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura há o CINE NOSSO em dezembro. Para o público, estes festivais são uma ótima oportunidade para verem algo que raramente encontram online. E, cinema, é sempre muito melhor no grande ecrã.

No próximo mês de janeiro, MiratecArts atribui o segundo prémio de “Novo Talento”, a outro jovem açoriano, nos PAA – Prémios Audiovisuais Açorianos. O evento é nosso, para os nossos, e espero que os açorianos apareçam e apoiem. Assim criamos comunidade, promovendo na sociedade, o que os Açores têm a oferecer.

O filme “Honeyjoon”, vai ser exibido na noite de abertura do Montanha Pico Festival, sexta-feira, 8 de janeiro; e os PAA acontecem no sábado, 9 de janeiro, pelas 16h no Auditório da Madalena, na ilha do Pico. São horas de marcar passagens, pois os voos esgotam para a ilha montanha mesmo no inverno.

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