Narcisos

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Agora que a campanha eleitoral propriamente dita se inicia, espero finalmente ouvir o actual Presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) e recandidato ao cargo. E digo isto, porque na verdade ele se tem escudado no seu Vice. É uma lógica de: é para a fotografia, vou eu, é para dar o corpo às balas, vai o outro a seguir…
Desde a não comparência nas derradeiras reuniões do executivo, aos anúncios insanos acerca do saneamento básico, silenciamento de cidadãos, a tudo isto escapa incólume e passa a “batata quente” aos restantes vereadores. Está em estágio de preparação e tem que se resguardar! 
É fácil assumir que é da sua responsabilidade tudo o que se passa no município sob jurisdição da CMH quando a procissão vai no adro, é mais difícil, depois das declarações e das averiguações da sua equipa, vir a terreiro, com frontalidade, caucionar as mesmas.
Nem de propósito, ouvi esta semana a apresentação da candidatura de Vítor Fraga à CM de Ponta Delgada. No evento perguntava se queremos que o munícipe“(…) se contente com uma gestão sonsa, de fachada, que faz das suas obrigações atos heróicos, que esconde a incompetência atrás de uma simpatia, tantas e tantas vezes, de conveniência”. Juro que pensei que ele estava a falar do nosso Presidente da Câmara!
É interessante verificar o heroísmo com que se inauguram reabilitações como na Cônsul Dabney, a argúcia com que se modifica o nome do mercado – agora Centro de Acolhimento Empresarial da Horta – o visionarismo ressesso com que se apresenta o faseamento de obras estruturantes…
De qualquer forma, registo com interesse quando a autarquia pretende emendar a mão, mesmo que, e lá dizia Vitor Fraga, tenhamos assistido anteriormente a uma “(…) paralisação ou inação da autarquia e ao desaproveitamento dos fundos comunitários disponíveis para alavancar os projectos estruturantes para o desenvolvimento do nosso concelho.”  
Virando a página.
Gostava de saber qual o critério utilizado para inaugurar obras com o descerramento de placas onde consta o nome do edil. Devo desde já referir que não aprecio a prática, uma vez que essas obras são geralmente pagas com dinheiro público, logo, não reconheço legitimidade para a personificação do investimento. Pior um pouco quando verifico que numa obra que o edil assumiu como sendo da sua única e exclusiva responsabilidade – como o polipropeno de alto impacto do relógio – o seu nome não conste da placa, numa obra há anaredas prometida e esperada – como a reabilitação da Cônsul Dabney – já aparece. 
Nos 360 metros de asfalto colocados no Farrobim do Sul, quando já estávamos perante um buraco cheio de estradas, e não uma estrada cheia de buracos, lá aparece a placa com o nome do edil, na Príncipe Alberto do Mónaco, aparece a primeira ciclovia do Faial e não só não aparece o nome, como se fez de conta que não tinha ali acontecido nada…
Será que aquilo não é uma ciclovia? Mas se não o é, porquê ferir a paisagem com meio passeio amarelo e meio passeio cinzento?
Já que falo em ciclovias, a que mencionei, deve ser a única que – além de intercalar os peões entre bicicletas e carros e depois alternar para peões – bicicletas – carros (de fora para dentro) –  é interrompida a meio, convidando os ciclistas a atravessar a passadeira, e já agora quem sabe, ir ao continente.
As ciclovias são, aparentemente, uma das necessidades do nosso município. A ciclovia na Laginha, que há anos fez parte de um manifesto do PS para a Junta de Freguesia das Angústias e também do manifesto da Feteira, e recentemente foi desenterrada por outro partido, intriga-me a partir do momento em que foi passada legislação que equipara as bicicletas aos velocípedes com motor e as obriga a circular na estrada.
Ora, eu estaria muito mais interessado em ver na Laginha uma “pista” para jogging, que acaba por ser o que mais vejo a ser praticado por ali. Um passeio marítimo, chamemos-lhe assim. Para mim, são necessárias e mais importantes zonas amplas que permitam a ambivalência entre o passeio de bicicleta e a fruição da caminhada. 
Tomo como exemplo o passeio da avenida. Gosto do facto de ser arborizado, mas julgo que deveria ser com outra espécie que não os empenados salgueiros que diminuem a área útil. Com aquela dimensão é possível circularem em sintonia bicicletas e pessoas. Sendo que aquela é uma área pedonal, quem quer fazer treino de bicicleta, quem se quer deslocar rapidamente por este meio, pode fazê-lo, mas na estrada como a lei obriga, ou então adequa a sua circulação à circulação de pessoas.

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