Natal 2020 – Comércio e Restauração esperam melhores dias

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Ano marcado pela pandemia da Covid-19 testou gestão financeira e emocional de empresários por todo o mundo. O Faial não foi exceção.

Quando se chegou a 1 de janeiro de 2020 a expectativa era outra, fosse para empresários, profissionais de saúde, forças de segurança, assalariados ou estagiários. Ao longo de todo o ano o pequeno tecido empresarial faialense ressentiu-se da quebra de receitas provocada pelas medidas de controlo e mitigação da pandemia da Covid-19.
Chegando-se ao final do ano inaugura-se uma época de reflexão sobre o vivido e de prospeção aspiracional para o ano seguinte, ou pelo menos assim o era.
Chegados a Porto Pim sentámo-nos com Genuíno Madruga no seu restaurante. O dono de um dos espaços mais conhecidos dos Açores não escondeu a forte sensação de incerteza que paira no ar e que o leva a dizer “já não falo em daqui a um mês, muito menos daqui por um ano… nem amanhã sabemos como será”.
A procura por parte dos habitantes locais tem sido pouca, “noto que as pessoas não têm saído” afirmou para depois confessar que “o takeway tem funcionado mas não resolve”. Para o primeiro açoriano a dar uma volta ao mundo em solitário foi em boa hora que “os continentais descobriram os Açores”. Daquilo que viu este foi um verão com muitos portugueses, o que serviu para colmatar a forte quebra de turistas americanos, canadianos, ingleses, italianos e espanhóis.

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Ainda assim foi “um verão que deu para safar” e que lhe permitiu continuar a pagar a colaboradores, fornecedores e os seus impostos. “Todos têm os seus compromissos e as minhas forças todas neste momento são dirigidas a cumprir os meus”, salientou o dono do restaurante inaugurado a 6 de junho de 2014, na data em que fazia cinco anos da sua chegada da 2.ª volta ao Mundo.
A época natalícia assistiu a uma forte quebra nos jantares de grupo mesmo no restaurante Genuíno. “Não têm acontecido praticamente, as pessoas evitam e acho que muito bem”. Quanto a 2021 Genuíno Madruga espera dias em que se “possa viver melhor”, mesmo acreditando que os tempos que se avizinham serão complexos. “Nunca vivemos uma situação destas, vai ser preciso muito empenho, trabalho e compreensão de todos os lados”, quer de governantes quer de governados, reforçou não sem antes concluir com alusões marítimas: “nunca houve mau tempo que depois não viesse o bom tempo e é nas situações difíceis que importa saber quem vai ao leme para chegarmos a bom porto”.

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Ao passar pelo n.17 da Rua Serpa Pinto entrámos na Susana Marco Gifts, uma loja no centro histórico que apresenta uma variada oferta de artigos para ofertas ou mimos para alguém quem se goste. O casal que tem nesta loja um projeto conjunto constatou as oscilações ao nível de vendas ao longo do ano, indo “desde zero vendas no mês e meio de confinamento” a um “período com vendas suficientes para pagar os encargos mensais e anuais, graça a esta época natalícia”.
Num ano “montanha russa” a campanha “Aposte Local, Compre no Faial” é por eles vista como positiva pois “ajudou a relembrar a população da importância do comercio local para a economia da ilha”.

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Alguns metros à frente, quem vai no sentido do antigo Banco de Portugal, falámos com Rute Pimentel na loja Vaidades. Estes que foram os mais desafiantes meses desde que abriram há 15 anos chegaram a fazer-lhes, numa fase inicial da pandemia, temer pela continuidade do negócio. “Por um lado felizmente que muita gente não viajou a acabou por fazer as suas compras por cá”, disse Rute em jeito de balanço positivo destas últimas semanas de vendas pré-Natal. Para ela “um ano melhor um bocadinho” já seria uma boa conquista para os próximos 365 dias.
Antes de chegar ao Telegrapho, quase em frente à Loja da Graça, parámos para comer umas tapas e beber um copo de vinho no Cantinho das Provas.
Desde 1 de outubro são Mariana Silveira e Franz Hutschenreuter os novos inquilinos no n.38 da Rua Conselheiro Medeiros.

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O alemão radicado no Faial contou-nos de todas as peripécias que levaram ao adiamento da abertura. A vontade deles passava por abrir em finais da primavera, mas com tudo o que houve, os atrasos em processos burocráticos, licenças e tudo mais, só em agosto “conseguimos ter a chave da loja”. Chave na mão, mãos à obra. “Fizemos tudo os dois, tudo o que há de carpintaria, móveis recuperados, iluminação” explicou Franz que, satisfeito com os resultados finais, sente “as coisas surgiram no tempo certo, ao fim ao cabo”.
O conceito por detrás deste espaço é a promoção do vinho dos Açores, dando possibilidade de se fazerem provas, degustação de pequenas tapas e ficar em amena cavaqueira.
Mariana crê que este foi o surgimento de um local com oferta que não havia na ilha, uma vez que muitos dos vinhos de referência dos Açores são difíceis de encontrar no Faial. Para a florentina os resultados apresentados até agora “estão acima das expetativas”, e “quanto mais se aproxima do natal melhores as vendas” acrescentou Franz.
“Temos todos os dias pessoas novas a entrar e conhecer o Cantinho das Provas” disseram-nos confiantes nos comentários positivos e nos “clientes que tendem a voltar sempre”.

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Do outro lado do centro histórico passámos as portas da Boutique 7.J. A proprietária abdicou das suas folgas para estar abertas todos os dias, sem feriados, desde a reabertura em maio, “só por isso o balanço é positivo, por haver muita dedicação”.
Mesmo com todo o esforço sabe ser difícil “recuperar na totalidade o tempo perdido quando estivemos fechados”, e mesmo tendo notado no Natal uma maior procura que justifica com o menor número de pessoas “a mandar buscar fora”. Pelos lados da Serpa Pinto a sensação que existe é de aprovação à iniciativa municipal de estímulo ao comércio tradicional.
Gilberta Ávila dissemos esperar um 2021 onde se recuperem afetos e contacto físico, “algo tão normal na nossa espécie”, mas que o coronavírus veio tornar fora do padrão.
Seja como for o próximo ano estes espaços de restauração e comércio, e tanto outros, estarão de portas abertas para nos receber.

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