O Faial precisa de um Plano de Desenvolvimento Estratégico para os próximos 10 anos

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A ilha do Faial precisa de um Plano de Desenvolvimento Estratégico para os próximos 10 anos, que aponte o caminho que pretendemos seguir e a estratégia para lá chegar.
Esta é uma das principais conclusões do trabalho do Fórum de Cidadãos e da análise dos 18 trabalhos elaborados no seio daquele espaço de reflexão independente.
Não podemos continuar a “navegar à vista”, a tapar espaços de interesse arqueológico com campos de cimento num dia, e no dia seguinte falar em valorização do património histórico e cultural. Temos que elaborar um plano de desenvolvimento sustentado e sustentável, que indique o queremos ser daqui a uma década e o que temos que fazer para o conseguir, quer ao nível do investimento público direto, quer ao nível do apoio a investimentos privados.
A Câmara Municipal é o governo da ilha e deve liderar o debate público, assumir as decisões e funcionar como o farol que ilumina o caminho a seguir, quer em termos de funcionamento da própria autarquia, quer em termos de apoio a quem quer investir e ajudar a trilhar esse mesmo percurso. Só assim poderemos trabalhar todos no mesmo sentido e construir uma ilha mais desenvolvida, mais qualificada para residentes e visitantes e ainda mais bonita.
Em termos de áreas a abordar no referido plano, citamos em primeiro lugar a singular vocação marítima do Faial, que é essencial para o desenvolvimento da nossa ilha e tem que ser devidamente potenciada. Para além das medidas já anunciadas de criação de um programa de bolsas de estudo para alunos que pretendam estudar no Faial (DOP) e de promoção das condições necessárias à efetiva lecionação da licenciatura em ciências do mar nesta ilha, dando um estímulo essencial para o desenvolvimento do ensino superior no Faial e afirmando a Câmara como o motor nuclear para atingir este objetivo, é preciso criar também um espaço de acolhimento de empresas ligadas ao mar e apoiar a sua instalação, nomeadamente com incentivos municipais.
Nesta matéria, a Câmara deve ainda liderar as reivindicações sobre a chamada 2ª fase da obra do porto, apontando a necessidade de ampliação da marina, de melhoria das instalações das empresas marítimo-turísticas, de requalificação e ampliação das instalações do Clube Naval, de criação de cais acostável para navios de maior dimensão para acolher cruzeiros turísticos e de dotação de infraestruturas para reparação e manutenção naval, que transformem o Faial numa zona de invernagem do Atlântico, de modo a afirmar, na prática e não apenas no discurso, a Horta como a capital do mar dos Açores.
O Plano de Desenvolvimento Estratégico tem que considerar também outros temas, como por exemplo a pecuária e a produção agrícola, as acessibilidades aéreas, o transporte marítimo de passageiros e de mercadorias, o património religioso e cultural ou a rede viária do Faial, uma das piores dos Açores.
O turismo é também um setor incontornável para o desenvolvimento da nossa ilha e carece de um planeamento urgente. Queremos um turismo de qualidade, não de massas, mas um turismo mais regular ao longo do ano e para isso é necessário planear e encontrar mecanismos de combate à sazonalidade que nos afeta, pois esta constitui um grande obstáculo ao incremento da qualidade e à sustentabilidade de diversos negócios.
Por último, é essencial batalhar pela área da saúde, uma área crítica, que apesar de ser uma matéria de competência eminentemente do Governo Regional, pode e deve ter na autarquia um interveniente ativo e determinado: a Câmara Municipal deve ser a primeira e a grande defensora da qualidade dos serviços prestados aos faialenses e do papel do Hospital da Horta no seio do serviço regional de saúde.

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