Namorar debaixo de uma amoreira

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A minha filha que se aproxima dos seus três anos, entrou na fase dos porquês. Eu entrei no jogo. Vou tentar responder a todos os porquês porque também será uma forma de me interrogar sobre algumas questões que apelidamos de tabus.
Neste sentido questiono o seguinte: – Se a nossa educação é a preparação do nosso futuro. Se a nossa situação atual é problemática e reforçada por crises financeiras, ambientais e sociais. Será que não devo questionar a educação que tive? Será que a minha e a sua educação foram as mais adequadas? Será que precisamos de mais programas e reformas? A atual educação está a preparar-nos para o futuro? Devemos mesmo entrar neste sistema de competitividade entre jovens à busca das melhores médias?
Pois, não sei! Mas como está, não está bem.
Neste momento a Assembleia da República debate se as autarquias devem criar um programa educacional próprio às escolas do seu concelho. Ainda não tenho opinião formada sobre este assunto. Mas se acontecer temos que estar preparados!
Todos nós, residentes do concelho da Horta, devemos ter o cuidado de refletir sobre este tema para, na altura certa, termos a melhor política educacional que os nossos jovens merecem.
Neste sentido, nesta coluna de opinião vou transmitir um pouco do que tenho lido e estudado.
A Pedagogia Waldorf é uma abordagem pedagógica baseada na filosofia da educação do filósofo austríaco Rudolf Steiner. Esta pedagogia procura integrar de maneira holística o desenvolvimento físico, espiritual, inteletual e artístico dos alunos.
O objetivo é desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis. As escolas e professores que possuem grande autonomia podem determinar o currículo e metodologia a aplicar nesta pedagogia.
Existem, atualmente, mais de 1092 Escolas Waldorf no mundo e cerca de 1857 jardins de infância, localizados em mais de 64 países, o que o torna num dos maiores movimentos educacionais independentes do mundo.
O ensino deve levar em conta as diferentes características de cada indivíduo. Um mesmo assunto que se pretende ensinar é abordado várias vezes durante o ciclo escolar, mas nunca da mesma maneira, e sempre respeitando a capacidade de compreensão de cada um. Fundamentalmente, esta pedagogia tem como objetivo, desenvolver a personalidade de forma equilibrada e integrada, estimulando o florescimento na criança e no jovem de: clareza do raciocínio; equilíbrio emocional; e iniciativa de ação.
Para que tudo isso aconteça, só é preciso que haja uma criança, tempo e espaço para que ela use asua imaginação e exerça um de seus direitos mais sagrados: o direito ao brincar livre.
Os futuros líderes, que terão nas suas mãos o poder e a responsabilidade de tomar as decisões necessárias para preservar o planeta, são as crianças e jovens de hoje. Por isso, ensinar-lhes a importância de preservar o meio ambiente é essencial.
Neste sentido a candidatura do partido Pessoas-Animais-Natureza deseja continuar com os bons projetos do actual executivo camarário, mas achamos ser primordial que se façam parcerias com o Governo Regional para a plantação de árvores de fruto, aromáticas e hortaliças nos jardins das nossas escolas.
Não podemos ficar só pelo primeiro ciclo, temos que ir ao segundo e terceiro ciclo e terminar no secundário. E por favor não podemos continuar com escolas sem espaços verdes numa região que apela ao turismo da natureza.
As nossas crianças e os nossos jovens tem que correr num relvado, namorar debaixo de uma amoreira e apanhar uma laranja se tiverem fome. São estas pequenas mudanças que fazem a diferença numa sociedade moderna e que se quer rica. 

Aplausos e assobios

nfaial@pan.com.pt

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