O futuro do PSD também passa pelo Pico

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Todos os caminhos da política açoriana vão dar este fim-de-semana à ilha do Pico. É na vila da Madalena que os social-democratas açorianos realizam o seu XXIV Congresso já com o líder eleito, José Manuel Bolieiro.
Esta reunião magna deverá servir, pois, tal como acontece com qualquer outra semelhante, para os congressistas proferirem discursos de apreço e defesa do líder, de aclamarem e manifestarem o seu apoio inequívoco ao novo Presidente do PSD/Açores.
Do lado deste certamente surgirá um apelo à união do partido, à união dos militantes em torno de um objetivo comum, que se lhe afigura muito difícil, que é vencer as eleições legislativas regionais de outubro.
Mas para tal, para sair com poderes reforçados, Bolieiro necessita neste Congresso de encontrar e apresentar uma equipa forte, coesa, uma equipa capaz de, em cada ilha, fazer crer aos seus habitantes que o Partido Social Democrata é alternativa governativa e conseguirá fazer melhor que o Partido Socialista, que tem o melhor programa de governo e soluções adequadas para melhorar a vida dos açorianos.
Na ilha do Pico, o futuro do PSD/Açores estará assim em jogo. Depois de mais de vinte anos na oposição, depois das sucessivas derrotas eleitorais levarem à queda de muitos dos seus líderes, Bolieiro aparece hoje como a alternativa de direita mais credível para tentar alcançar o poder que há muito foge aos social-democratas.
Para as eleições regionais faltam ainda 9 meses, o que no calendário político significa que estão “ao virar da esquina”, pelo que o reduzido tempo que lhe resta obriga-o a avançar imediatamente para o terreno para conhecer as assimetrias de cada ilha e mostrar-se aos açorianos como uma possível opção ao poder instituído.
Um mês já passou desde o dia em que foi eleito como presidente do PSD/Açores e pouco se conhece da sua atuação e intervenção politica no território açoriano, exceção feita a Ponta Delgada.
Mas também pela ilha do Pico poderá passar o nome do futuro líder do PSD. Na verdade, será ao segundo dia de Congresso que se assistirá à realização da segunda volta das eleições para a presidência do partido a nível nacional.
Tal facto – coincidência entre as datas de realização do Congresso e a eleição no partido – é relevante, descredibiliza a imagem do partido perante o exterior e apenas comprova o alheamento e desdém com que Rui Rio tem tratado os social-democratas açorianos. Será que ninguém no PSD nacional sabia que esta situação podia acontecer? Será que ainda ninguém se interrogou como conseguirão votar nestas eleições muitos dos militantes social-democratas reunidos no Pico?
Se se verificar por parte destes uma abstenção massiva ao ato eleitoral, dado que a votação ocorre normalmente em cada uma das ilhas, Rui Rio poderá ser o mais prejudicado, pois venceu aqui nos Açores com uma diferença de 146 votos em relação ao resultado conseguido por Luís Montenegro.
É certo que tais votos não são suficientes para fazer Rio perder imediatamente, mas na eleição renhida que se está a assistir, com o “contar das espingardas” de cada um dos lados, com a relevância que se está a atribuir a cada voto de cada militante, a falta destes votos açorianos poderá influenciar decisivamente o resultado final.
Obviamente que Bolieiro, enquanto Vice-Presidente de Rui Rio, não quererá isto e tentará encontrar uma solução. Por isso pode-se dizer que pelo Pico também passará o futuro do PSD, nacional e regional.

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