
É já amanhã o adeus do líder do PSD Açores.
21 de julho será o dia em que, perante os Conselheiros Regionais, Duarte Freitas anunciará que não se recandidatará a novo mandato à frente do PSD/Açores. Ele que já tinha feito transparecer essa intenção aquando da apresentação da Universidade de Verão da JSD, afirmando que esta tinha sido o seu maior legado.
Será um momento há muito esperado por diversos setores sociais-democratas, que reclamavam uma mudança urgente de rumo e de pessoas à frente do partido, de modo a poder ombrear, nas próximas eleições, com o Partido Socialista.
Estarão, pois, a partir dali, abertas as hostilidades e o ataque à liderança do partido.
Depois de ter perdido todas as batalhas políticas eleitorais na Região enquanto líder do maior partido da oposição, de contestado internamente e de ter sido alvo de uma tentativa, sem sucesso, de assalto à sua liderança no parlamento, perpetrada por vários deputados da sua bancada, não lhe resta mais nada que não seja o de desistir da liderança do partido e aguardar por dias melhores.
Como é óbvio, esta data não é escolhida ao acaso. Este baixar de braços acontece no preciso momento em que se começam a preparar as listas para as próximas eleições europeias, lugar que Duarte Freitas conhece bem do passado. No entanto, o facto de não ter expressamente apoiado a candidatura de Rui Rio à liderança do partido poderá condicionar esta sua legítima aspiração.
Por outro lado, este período de tempo que medeia entre a sua decisão e o Congresso Regional do PSD/Açores, previsto para o mês de dezembro, permitirá que surjam mais candidatos à liderança, para além de Pedro Nascimento Cabral, e que haja uma ampla discussão acerca das ideias e projetos que cada um terá para o partido e para a Região.
O primeiro candidato assumido – Pedro Nascimento Cabral – certamente que contará com alguns apoios na Região, mas o facto de ser filho de um fundador do PSD/Açores não parece suficiente para congregar apoios e vencer o partido, é necessário muito mais.
A premissa fundamental para poder chegar ao mais alto cargo do partido a nível regional reside na visibilidade e notoriedade que é preciso deter não só internamente, mas sobretudo junto da opinião pública regional, o que, de acordo com os entendidos, não é patente no seu caso.
O candidato natural e a opção mais desejada à sucessão de Duarte Freitas seria certamente José Manuel Bolieiro, Presidente do Município de Ponta Delgada. Todavia, este já fez saber no interior do partido que não está interessado em avançar, pois pretende manter-se mais quatro anos à frente da maior autarquia da Região.
Resta aquele que certamente causará mais dores de cabeça às hostes socialistas. A sua juventude e o trabalho que tem realizado à frente da Ribeira Grande fazem dele um potencial aglutinador das várias correntes dentro do partido e, segundo alguns, o mais bem colocado candidato à presidência do PSD/Açores. Falo de Alexandre Gaudêncio, Presidente da Câmara da Ribeira Grande, que destronou Ricardo Silva de um lugar que parecia seu “ad aeternum”.
E nem o facto de ser Presidente desse município funcionará como entrave à sua candidatura, pois serão cargos perfeitamente conciliáveis até março/abril de 2020, permitindo-lhe percorrer as ilhas, conhecer cada estrutura partidária e escolher aqueles que o acompanharão na luta das eleições regionais.
Mas, estando estes candidatos ausentes da Assembleia Legislativa, não poderão descurar aqui o combate político, pelo que se impõe um líder parlamentar articulado com a nova liderança, capaz de enfrentar Vasco Cordeiro e o Partido Socialista. A renovação do partido, a luta contra a abstenção, a abertura à sociedade, aos indecisos e insatisfeitos com a longa governação socialista, deverão ser as traves mestras de quem pretender vencer o partido.
É, pois, chegado o momento das grandes decisões dentro do partido social democrata: continuar mais quatro anos na oposição ou encontrar um líder que, em eleições regionais, seja capaz de destronar o governo socialista.

















