O penálti que a SATA meteu na baliza dos faialenses

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O penálti, o chamado, na gíria futebolística, livre da marca dos 11 metros, tem estado muito em foco nos principais relvados portugueses. Ou porque na grande área a bola vai ao braço do jogador, ou porque há uma rasteira, ou porque, simplesmente, o moderno vídeo árbitro (VAR) viu uma falta que o árbitro principal não descortinou, tudo justifica o apontar para a marca do penálti.
Cara a cara com o guarda-redes, por vezes o jogador escolhido pelo treinador marca e alegra multidões, outras vezes falha e compromete um campeonato, entristecendo os adeptos. Pizzi, um dos principais jogadores do Benfica, tem sido, ultimamente, o exemplo perfeito desta entrelaçada dicotomia entre o marcar e o falhar, entre a alegria e a tristeza.
Tal como no futebol, também na política os decisores escolhem, normalmente, aqueles que lhes parecem mais capazes de não tremer perante uma delicada situação, e de, num frente a frente, conseguirem rematar para o lado contrário àquele que pode ser o desejo comum.
Apesar de ter entrado há pouco tempo em relvado açoriano, depois de já ter vestido várias camisolas, o novo Presidente da SATA assumiu a posição de ponta de lança no primeiro confronto da época com o Faial e decidiu, de penálti, esse embate, enfiando um “balázio” nas redes da baliza que os faialenses decidiram defender.
Efetivamente, o planeamento da SATA voando na rota Lisboa/Faial/Lisboa, durante o Verão IATA, usando aviões A319 da empresa Hifly, ao invés dos tradicionais Airbus A320, provocará uma inevitável redução do número de lugares disponíveis e na capacidade de carga, com consequentes reflexos negativos na economia faialense.
Mas esse planeamento representa também uma ofensa aos faialenses pelo facto de ter sido concebido num completo secretismo, sem público, já em género de prevenção para o Covid-19, e somente descoberto graças à resiliência e perseverança de um Grupo de cidadãos que não tem hesitado em denunciar junto da opinião pública os atropelos e as faltas que têm sido cometidas sobre os faialenses.
Sucede que aquele penálti, indefensável, resultou de uma falta inexistente, que o árbitro, sem recorrer ao VAR, decidiu marcar, apesar dos protestos dos jogadores faialenses, concretamente, do Grupo Aeroporto da Horta, da Câmara Municipal, da ATSF e dos operadores turísticos da ilha e dos números oficiais que apontam para, ano após ano, um aumento da procura por este destino.
No entanto, este jogo inicial, muito disputado, contrasta com aquele que a SATA e o Governo Regional realizaram nos últimos dias num qualquer relvado situado na ilha Terceira. Na verdade, bastaram cinco minutos da primeira parte deste embate para se oferecer a esta ilha 11 voos internacionais por semana para as cidades de Londres, Paris, Amesterdão, Montreal, Boston, Oakland e Toronto.
Não se diga que esta nova administração tem carta branca para colocar a empresa no rumo certo e que não há interferência governativa nas suas decisões.
Claro que há!
Não se atire relva para os olhos dos faialenses. Enquanto que para a ilha do Faial o lema instituído é reduzir, para a ilha Terceira é aumentar. Não é admissível que os faialenses sofram constantemente, nos períodos de maior procura turística, uma diminuição nos lugares disponibilizados pela SATA e se conceda, por contraposição, à ilha Terceira novas ligações aéreas que representam novas oportunidades para o turismo.
Esta diferença procedimental que o Governo Regional e a SATA têm vindo a adotar, evidencia claramente que não são dadas iguais oportunidades de crescimento a duas parcelas do mesmo território.
O Faial não pode permanecer indiferente aos sucessivos penáltis que, em todos os jogos e em todos os campeonatos, são assinalados contra a ilha. Há que tomar uma posição definitiva. Muito mais quando não há justificação para a sua existência.

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