O trabalho individual face à crise

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Amor, aperfeiçoamento, aceitação, autoestima, gratidão, coragem, criatividade, flexibilidade, esperança, espiritualidade, inteligência emocional, meditação, resiliência (capacidade de superar crises e adversidades), sucesso, vontade, transmutação, são alguns conceitos trabalhados pela psicologia positiva para devolver ao ser humano a felicidade que tem perdido ao longo do seu percurso.

Parece fácil: afinal, todas as pessoas querem sentir-se bem, pelo que certamente prezam, cultivam e defendem o seu bem-estar.

Errado. A maioria das pessoas sente falta de muitas daquelas bases para a sua vida, mas nada faz para as construir; muitas desejam mudar o mundo mas não se predispõem à mais pequena mudança pessoal; uma parte acredita até não ser suficientemente boa para merecer este ou aquele prémio da vida.

É aqui que entra a psicologia positiva e a função terapêutica de preparação para modificar os padrões de pensamento, com o objetivo de contribuir para uma sociedade mais realizada e um ser humano mais consciente e mais satisfeito.

Disse bem: padrões de pensamento. Para mudar uma vida, há que ter grande persistência para mudar os padrões de comportamento e, nos seus alicerces, dominando tudo: o protótipo do pensamento. Sem estas primeiras mudanças, nada se pode alterar.

Todos temos capacidade para controlar comportamentos e capacidade de gerir emoções e sentimentos, lidando com eles de forma construtiva para desenvolver relacionamentos saudáveis e, com eles, uma vida agradável, com maiores ou menores dificuldades. Só precisamos de acreditar e de fazer uso da nossa inteligência emocional e do exercício de autoridade sobre os pensamentos.

O estilo de vida ocidental levou-nos a este beco, onde as tensões quotidianas provocaram danos gravosos na saúde, o consumismo infestou a economia de viroses sem antídotos, a natureza se rebela contra as ofensivas sucessivas do homem. Todo o desmoronar do que tínhamos como certo há bem pouco tempo trouxe-nos a um paradigma em decadência: abundam os comportamentos autodestrutivos, as compulsões, as insónias, as depressões.

É precisamente no combate a estes comportamentos de crise -, não apenas económica, mas de direção pessoal de vida -, que estas capacidades nos são requeridas. Direi mais: nos são exigidas.

Já todos percebemos que temos mais uns anos de obstáculos a vencer. Desemprego, falências, encerramentos de empresas, famílias sem rendimentos suficientes para alimentar crianças. Mas creio também que estamos todos a começar a entender que cada um de nós tem uma responsabilidade pessoal em tudo o que acontece à nossa volta. A necessidade indesviável dos métodos e estratégias da psicologia positiva para aliviar a densidade deste momento da nossa história revela-se cada vez mais evidente. Portanto, e para não perder mais tempo, o que há a fazer é um trabalho de responsabilização: individual – de sustentabilidade; coletivo – de união; institucional – de acompanhamento e apoio às carências emergentes.

A cura impõe uma nova maneira de ser e de estar no planeta. E a responsabilidade do que cada um cultiva é sua. É certo que cada um manda no seu quintal… mas também é certo que se não procurarmos fazer por nós, não podemos esperar que a adversidade destes tempos se eclipse e a felicidade nos pouse no colo como um milagre.

 

 

alziraserpasilva@gmail.com



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