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O Tratado do Alto-Mar entra em vigor: um marco histórico na conservação do oceano

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Por: Fundação Azul
Oficialmente alcançadas as ratificações necessárias, o Tratado do Alto-Mar – formalmente designado Acordo sobre Proteção da Biodiversidade Marinha em Áreas para além da Jurisdição Nacional (BBNJ, na sigla inglesa) – entrará em vigor no início de 2026,120 dias depois da 60ª ratificação. Seguindo este marco, a primeira Conferência das Partes (COP) dedicada ao oceano deverá ocorrer no prazo de um ano. A Fundação Oceano Azul congratula efusivamente este momento histórico, que irá mudar o atual paradigma da governação internacional do oceano, ressalvando a importância de mais países se juntarem a estes 60 de modo a promover a universalização do tratado e a sua efetiva implementação.
Pouco mais de dois anos após a adoção do Tratado do Alto-Mar no âmbito das Nações Unidas, este grupo de países – do qual Portugal faz parte, tendo ratificado o acordo em maio deste ano – transformou compromisso em ação, unindo esforços para garantir a entrada em vigor do regime que irá proteger cerca de dois terços do planeta e da sua biodiversidade: a vasta área abrangida pelo oceano além das jurisdições nacionais.
“A entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar pouco mais de dois anos depois da sua adoção é um passo histórico na gestão e proteção, pela humanidade, de uma área que corresponde a quase metade do nosso planeta – o oceano além das jurisdições nacionais”, afirma Tiago Pitta e Cunha, administrador executivo da Fundação Oceano Azul. “O que nos deve surpreender não é a criação deste tratado, mas sim a ausência dele até aqui. Que tenhamos passado pela construção do paradigma do desenvolvimento sustentável na Cimeira do Rio há mais de 30 anos e adotado vários tratados nessa ocasião deixando o alto mar, que não pertence a nenhum país, completamente fora da fotografia. Sem o oceano não podemos combater as crises planetárias que afetam a Terra”, acrescenta.
“O Tratado do Alto-Mar é uma vitória histórica. A conservação e o uso sustentável do oceano além da jurisdição nacional são agora um compromisso juridicamente vinculativo para todas as nações. Mas o trabalho apenas começou. Para concretizar plenamente este compromisso, precisamos dar prioridade à implementação eficaz e equitativa, traduzindo este acordo em ações concretas”, diz Sérgio Carvalho, diretor adjunto para Assuntos Internacionais da Fundação Oceano Azul. “Identificar e estabelecer Áreas Marinhas Protegidas em alto-mar é um exemplo de uma ação-chave urgente que deve ser prioritária e que é essencial para impulsionar os esforços de conservação e atingir a meta de 30×30 no oceano”, afirma.
Na prática, o acordo estabelece um novo regime jurídico para:
  • Áreas Marinhas Protegidas (AMPs): fornece uma estrutura para o estabelecimento e a gestão de AMPs no alto-mar, de forma a preservar a biodiversidade marinha e a apoiar metas globais, como a proteção de 30% do oceano até 2030.
  • Avaliações de impacto ambiental: exige avaliações antes que atividades humanas possam ocorrer em áreas que impactam ecossistemas marinhos além das jurisdições nacionais.
  • Acesso e partilha de benefícios: regula o acesso e utilização de recursos genéticos marinhos, garantindo a partilha justa e equitativa dos benefícios decorrentes do seu uso.
  • Capacitação e transferência de tecnologia marinha: apoia os países em desenvolvimento com recursos, conhecimento e ferramentas para que participem plenamente na conservação e investigação em alto-mar.
A Fundação Oceano Azul esteve, desde 2019, profundamente comprometida em apoiar a negociação e adoção do Tratado BBNJ. Durante a fase de negociação do tratado, coorganizou e recebeu cinco workshops de especialistas em Lisboa, reunindo negociadores governamentais e criando um espaço neutro e colaborativo para promover o diálogo e construir consensos sobre algumas das questões mais complexas e críticas deste Acordo.
Após a adoção do Tratado em 2023, o foco passou para a aceleração da ratificação e da sua implementação. Mais recentemente, em colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, foram organizados dois workshops dirigidos à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Desde o primeiro workshop, quatro dos nove Estados-membros da CPLP ratificaram o tratado – Portugal, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Cabo Verde.
Paralelamente, a Fundação Oceano Azul tem participado nas reuniões da Comissão Preparatória do Tratado do Alto-Mar, assegurando que o “ponto de vista do oceano” é integrado no desenho das futuras modalidades do tratado.

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