Obstipação e a sua influência na musculatura pélvica

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A obstipação (prisão de ventre) está intimamente ligada às disfunções do pavimento pélvico, mas como?

Através da sua ligação anatomia e da sinergia abdomino-pélvica, isto é, todas as estruturas do pavimento pélvico estão inseridas numa espécie de cilindro , na qual é delimitado superiormente pelo diafragma torácico, lateral e anteriormente pelos músculos abdominais, posteriormente pela coluna lombo-sagrada e inferiormente pela pélvis e sua musculatura. Toda esta estrutura necessita de ser regulada pela pressão intra-abdominal que regula funções básicas como respirar, cantar, defecar e urinar.

A obstipação acaba por ser um desregular dessa mesma pressão causada por múltiplos fatores, desde o estilo de vida( alimentação, prática de exercício físico), historial clínico (doenças diagnosticadas) e anormalidades da anatomia do indivíduo (megareto , movimentos peristálticos lentos)

Mas como se define obstipaçao? De acordo com Drusseman et al (2016) são pacientes que referem fezes duras, sensação de esvaziamento incompleto e distensão abdominal e sensação de bloqueio das fezes. Estes pacientes tem de permanecer com esta sintomatologia há 3 meses consecutivos para serem diagnosticados como tal.

É comum inibirmos estes reflexos defecatórios por várias razões que podem até ser consideradas válidas mas que terão consequências futuras, aumentando a probabilidade de apresentar esta sintomatologia e isto originar patologias mais graves como incontinência fecal, hemorroides, ulceras retais, prolapso de órgãos pélvicos, síndrome do colo irritável, obstruções intestinais e até mesmo depressão e ansiedade ( Choung et al 2014)
Resumindo, a dificuldade de defecar ao longo dos anos e o “ straning”/ pressão feita nesse ato ou até mesmo no parto podem causar um períneo descendente, o que por sua vez poderá lesar o nervo pudendo ( principal inervador da pélvis) e causar a atrofia da musculatura pélvica , originando incontinência fecal e até mesmo urinária.

Este ciclo é imparável pois o períneo descendente é uma das possíveis consequências assim como, a hiperatividade muscular que há nessa zona devido ao esforço feito pode ser outra consequência. O principal ponto é perceber a origem da sintomatologia e como podemos ajudar as mulheres a recuperar a sua funcionalidade e qualidade de vida.

A fisioterapia atua nesta área com cada vez mais influência e através do tratamento conservador evitam cirurgias invasivas. A atuação na sinergia abdomino-pélvica, isto é consciência da atividade perineal, uso da respiração diafragmática, a restauração do normal funcionamento da coordenação colo- retal-anal e a reeducação da atividade muscular defecatória tem feito diferenças significativas no dia-a-dia das pessoas. Tudo isto feito com técnicas manuais, de relaxamento, respiração e ensino de exercícios da musculatura abdomino-pélvica.

Apesar de todo o esforço por parte dos terapeutas nada pode ser feito sem a colaboração e motivação dos seus utentes , pois nós só damos as ferramentas para que cada um possa melhorar a sua funcionalidade e bem estar, cabendo a cada pessoa introduzi-las na sua rotina diária.

Fisioterapeuta: Cristina Gomes

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