“Os idosos passaram a ter poder e transformaram-se num mercado…”

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Decorreu na passada semana, na nossa ilha, um colóquio sobre “Envelhecimento Activo”. 

Uma iniciativa da Universidade Sénior da Ilha do Faial que surge no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.

O grande objectivo da organização era promover uma reflexão sobre a nova realidade social com que nos deparamos, em que os idosos são cada vez em maior número, e ver que papéis podem assumir na sociedade. 

A grande questão lançada no início do colóquio era “Será que a nossa sociedade enquadra o envelhecimento tendo em conta o princípio de que uma comunidade que não cuida dos seus idosos tem o seu futuro condenado?”

Ao Tribuna das Ilhas, o presidente do Conselho de Gestão da Unisénior, Manuel Amaro Ribeiro disse que “o balanço que faço é extremamente positivo e excedeu as nossas expectativas, para isso contou a adesão da população que foi muito boa”. 

Os temas trazidos a debate foram vários. Desde exercício físico, espiritualidade, arquitectura citadina a potencialidades da pessoa idosa, entre outros. 

“As conclusões são convergentes num determinado sentido, as pessoas para envelhecerem com qualidade tem, que se manter activas física e intelectualmente e terá que haver por parte de quem tem a função de delinear medidas de apoio às pessoas idosas” – refere Manuel Amaro Ribeiro. 

Um dos mentores do projecto da Unisénior é Henrique Melo Barreiros, a quem coube a sessão de encerramento com uma palestra denominada “Um encontro na hora certa, um olhar conclusivo”. 

A respeito do evento disse a este semanário que “este colóquio é uma actividade natural da universidade sénior. É certo que normalmente somos espicaçados pela deficiência da realização destes anos europeus, mas a Universidade Sénior já estava preparada para este colóquio pelas dúvidas que foi colocando ao longo destes quatro anos.”

Sobre a importância destas palestras e destes debates para a sociedade, Melo Barreiros sublinha que “são uma ajuda preciosa na tentativa de encontrar respostas para estas temáticas. Pretende-se agora, criar atitudes nas pessoas idosas para se convencerem que têm capacidade para uma participação colectiva. Quer isto dizer que, num futuro próximo, mesmo a Universidade vai ter que se ajustar aos dados que saem daqui. Estamos em crer que as pessoas vão criar agora novas atitudes para se organizarem. O que está aqui em causa é despertar novas atitudes nas pessoas, demonstrando-lhes que são capazes e que tem instrumentos e capacidade de intervenção”. 

Na sua intervenção no final deste colóquio Melo Barreiros frisou também que “os idosos passaram a ter poder e transformaram-se num mercado… é uma linguagem nova para um problema velho.” 

E adianta que “hoje os idosos estão exactamente no centro da oferta e procura. Esta é uma questão complicada que o ano europeu veio levantar.” 

 

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