Os milhões da nossa estagnação

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1 O poder da população
O momento de avaliar o tratamento dado pelo governo ao Faial está a aproximar-se. É nas eleições que as pessoas punem, ou compensam, a ação governativa, e esse é um poder enorme que não pode ser descurado por nenhum de nós.
O poder do voto é enorme. Só temos de o valorizar.
Nas eleições regionais de 2016, 6.463 eleitores faialenses não votaram (49.67%). A nível regional, a abstenção foi de 59.16%, o correspondente a 134.971 cidadãos. Se estes eleitores votarem nas eleições de 25 de outubro, terão nas suas mãos o poder de decidir o futuro da Região.

2. O arrastar dos projetos
Ao longo dos últimos 24 anos, foram inúmeras as promessas feitas a todos os açorianos e aos faialenses em particular. Todas as forças políticas as fizeram, é verdade, mas só o Partido Socialista governou e teve a oportunidade de cumprir o que prometeu. Ou de não cumprir, como se verifica em relação a alguns dos investimentos mais estruturantes para o Faial.
Na lista dos incumprimentos pontifica a ampliação da pista do aeroporto da Horta, prometida em 2004 no comício eleitoral dos Flamengos e que a partir daí passou a figurar nos manifestos eleitorais socialistas.
O porto da Horta, a infraestrutura mais emblemática do Faial, foi alvo de um processo digno de figurar no rol das piores ações políticas, e só não foi “destruído” com um triângulo de betão a meio do porto porque a oposição política e a sociedade civil o conseguiram impedir. Fruto da teimosia governamental, que só ao fim de vários anos, aceitou a realização de um estudo “independente” (resta saber quais os quesitos solicitados ao LNEC), continua por requalificar.
A 2ª fase da requalificação da Escola Básica Integrada da Horta desapareceu dos planos regionais, privando cerca de 600 alunos de espaços para atividade física, salas de ensino especial, laboratórios e até espaço de recreio ao ar livre.
A 2ª fase da Variante à Cidade da Horta foi também eliminada dos planos regionais, apesar de ser estruturante e ainda mais urgente com a deslocalização do quartel de bombeiros para a zona industrial.
As Termas do Varadouro são um puro exemplo de tratamento discriminatório do Faial, pois o governo que recuperou as outras duas estâncias termais da Região, recusa recuperar as termas da nossa ilha.
E muitos projetos mais podíamos lembrar, desde a promessa ilusionista do campo de golfe até ao complexo desportivo, que no ano eleitoral de 2008 chegou a ser batizado de “Estádio Mário Lino”.

3. A estagnação contada em números
As promessas foram traduzidas em muitos milhões de euros inscritos nos planos e orçamentos da Região. Serviram para anúncios repletos de fotografias e notas de imprensa.
Mas a realidade tem mostrado a verdadeira intenção. Há uma enorme diferença entre os milhões inscritos para o Faial no Plano Regional Anual e o valor efetivamente investido na nossa ilha.
4. Duzentos e setenta e oito milhões de euros
A leitura do gráfico, que tem como fonte o relatório de execução orçamental elaborado pelo próprio governo, não deixa margem para dúvidas. Nas duas últimas legislaturas, a maioria do investimento prometido e inscrito para o Faial não foi executado.
Nos últimos oito anos, somente por duas vezes a taxa de execução passou dos 50%.
No total, mais de 278 milhões de euros inscritos para o Faial ficaram por executar.
Em rigor, foram 278 milhões 132 mil e 78 euros. Para onde terá sido direcionado este dinheiro?
Os 278 milhões destinados ao Faial permitiriam concretizar todos os investimentos acima mencionados e muitas outras promessas feitas aos faialenses – para ganhar votos – nos últimos 24 anos.
Se assim tivesse acontecido, certamente teríamos hoje mais emprego qualificado e menos pessoas em programas ocupacionais ou a depender do rendimento social de inserção.
Se assim tivesse acontecido, teríamos também hoje menos problemas sociais e uma sociedade mais justa.

DR
DR

Se os investimentos inscritos para esta ilha tivessem sido concretizados, o Faial estaria hoje noutro patamar de desenvolvimento e a olhar para novos desafios, desempenhando um papel de relevo no seio da Região e contribuindo de forma mais intensa para o futuro dos Açores.

 

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