Mais um ano passou, e mais uma noite de Natal: Nem nos Cedros, nem na Horta.
E o mesmo sucedendo com a passagem de ano, mas, embora vivendo na Cidade Património Mundial, nunca deixo de recordar os ranchinhos da minha infância em que era especialista nos ferrinhos.
Uma vez na Cidade, quer residindo na baixa quer morando na alta, era sempre um prazer, na primeira metade da noite de 31 de Dezembro, ainda antes dos tradicionais apitos saídos da característica chaminé da Central Eléctrica ou dos canos dos navios surtos no porto, rebocadores holandeses incluídos, ouvir os sons de chorumbelas, pífaros, guitarras, tambores, bombos e ferrinhos dos ranchos em caminhada das Angustias à Conceição, como que a anunciar aos citadinos que a visita não demoraria.
Se bem que um ano houve que a Horta inteira foi alertada por ensurdecedor barulho que se viria a repetir, passando mesmo a ser coqueluche assaz aguardada doravante.
Eram os Zabumbas do Alberto, como passou a ser conhecido o rancho do Alberto Lemos que, vindo do Capelo (Areeiro), animaria durante anos as ruas da Horta.
Tal o êxito que não haverá ninguém que não se lembre ainda do ribombar dos zabumbas do Alberto.
Se nada mais tivesse feito, não teria partido de mãos a abanar.
Mas o Prof. Alberto Lemos, licenciado na ida Escola do Magistério Primário da Horta, embora fosse a mais frequentada das três da Região, não se limitou às primeira letras nem à tabuada, já que muitas coisas eram ensinadas, até as linhas férreas num arquipélago onde não havia comboios.
Incutir nos jovens o gosto numa formação para a vida inteira foi também sua preocupação, aliás patente na criação, faz agora quatro décadas, de Grupo folclórico no Salão, freguesia onde leccionava e em que terá sido pioneiro.
Já reformado e residindo na Horta, ia, em louvável empenho cultural, às Escolas das Angústias e Matriz interessar as crianças pelo nosso rico folclore, ensinando-as a bailar a Chamarrita; e o mesmo terá sucedido com os futuros professores na Escola do Magistério.
E, como o rancho, o seu grupo ficou também bastante conhecido no Faial, ultrapassando sua fama o Canal e indo, quiçá, à outra Ilha do Triângulo.
Quando o conheci não me lembro, de certeza que foi no botequim do pai, o Senhor Óscar que era também paragem obrigatória da camioneta da carreira para a Cidade.
O que sei e jamais esquecerei é que, com os anos, nos tornámos grandes amigos.
* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico











