Paulo Estevão propõe proteção dos falares açorianos

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O deputado do Partido Popular Monárquico (PPM), Paulo Estevão, apresentou no Parlamento açoriano um projeto de resolução para proteção, dignificação e divulgação dos falares açorianos” durante o primeiro dia do período legislativo de abril, terça-feira 14.

As diferentes variantes dialetais, que variam de ilha para ilha e mesmo de zona para zona de cada ilha, influenciadas por diferentes povoadores carecem, no entender de Paulo Estevão, de proteção perante o “atual contexto de uniformização levada a cabo pelos novos meios de comunicação e pelo sistema educativo de massas associados à norma-padrão da língua portuguesa”.

A utilização de um português dito continental pela RTP-Açores, nos organismos públicos governamentais, no sistema educativo e o sentimento de ”inferioridade e de desprestígio” que atinge os açorianos, quando se utilizam legendas em reportagens televisas nas quais intervêm habitantes dos Açores, são vistas pelo PPM como provas da perda de identidade linguística e dos constrangimentos a que esta está sujeita nos tempos que correm.

“Estão-se a perder as vozes, as palavras e as expressões seculares dos nossos avós, dos açorianos do nosso tempo. Trata-se de uma perda irreparável. Não apenas pronúncias e palavras. É muito mais que isso. São memórias vivas de uma cultura” considerou o único deputado desta representação parlamentar.

Por estas razões Paulo Estevão sublinha que “importa adotar, com urgência, medidas que contribuam para a proteção, dignificação, conhecimento e uso descomplexados dos diversos falares açorianos”.

Os sorrisos tomaram o hemiciclo açoriano quanto, durante a apresentação, o deputado eleito pelo Corvo se expressou por alguns minutos utilizando uma sucessão de palavras que fazem parte do património linguístico açoriano, como catalunhos, passar os cinco mandamentos, catar muita cortesia, refasteleiro, areado, pogenca, gavela, ensalamurdado, escarépio ou enormezinho, a título de exemplo.

Nenhum deputado de outro partido com assento parlamentar se pronunciou sobre este projeto.

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