Política sem ética é uma vergonha

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    Francisco Sá Carneiro, um dos políticos mais distintos e respeitados do pós 25 de Abril – já com destacados méritos em período anterior a esta data em que participou e foi líder da chamada Ala Liberal da Assembleia Nacional – cuja morte prematura num trágico acidente de aviação continua, passados quase 36 anos, envolta em mistério e sem o total esclarecimento público, com toda a lucidez e razão afirmou “A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”.

    Com o advento da liberdade e o percurso do nosso sistema democrático muitos valores se foram perdendo, foram sendo corrompidos, tanto a nível ideológico como de princípios, de integridade moral e politica.

    A política, ao contrário do que muitos pensam ou querem fazer crer, é tão nobre como qualquer outra profissão, e tem, como em qualquer outra ocupação, melhores ou piores atores, não podendo assim generalizar-se a avaliação menos positiva de todos aqueles que exercem a atividade política.

    A verdade é que grassa na sociedade muito descrédito em relação à politica e aos políticos o que em grande parte se deve ao comportamento menos exemplar de muitos que atuam e abusam da sua condição e estatuto social ou poder, tanto nos governos como nas autarquias.

    Muitos detentores de cargos políticos não contribuem efetivamente para que haja uma maior empatia ou respeito por estes, com evidente prejuízo para a credibilidade da política ou dos políticos.

    Em muitos casos, para o desempenho de determinados cargos da governação ou da administração pública deixou de prevalecer ou de ser premiada a competência para, pelo contrário, serem beneficiadas ou arregimentadas clientelas partidárias “boys e girls”, muitos destes sem as devidas qualificações ou experiência profissional para o desempenho do cargo que ocupam mas recrutados apenas porque são portadores de cartão partidário (servindo este de aliciante ou facilitador da obtenção de emprego ou de lugares na administração).

    Por outro lado, tem sido crescente e preocupante ver muitos eleitos se afastarem cada vez mais dos eleitores. De esquecerem quem os elegeu, de cumprir com as promessas ou com os compromissos assumidos em período eleitoral. Também é chocante ver, por vezes, os eleitos vergados ao servilismo partidário não assumindo como devem a defesa das suas terras, dos cidadãos e das comunidades que os elegeram.

    Os governos e os governantes que se alongam muito no tempo, mesmo num regime democrático, têm a tendência para se tornarem autoritários, arrogantes, viciados nas más práticas, pouco tolerantes e recetivos às críticas ou propostas de alteração de políticas, tanto da oposição como da sociedade civil, muitas vezes escudados na condenável afirmação de que são detentores do poder porque receberam a maioria dos votos (que no caso os cega ou tolda o raciocínio, julgando-se donos de tudo e de todos, fazendo parecer que são donos da verdade ou da razão absoluta, exercendo pressões e vinganças, enfim condicionando a sociedade na sua (suposta) liberdade de expressão e de intervenção cívica) ou na afirmação da perversa velha máxima de “quem não é por mim, é contra mim”.

    São muitas destas frequentes, condenáveis e abusivas práticas, com evidente falta de ética, que envergonham, que fazem descredibilizar a política ou os políticos, que motiva o afastamento ou desmotiva muitos cidadãos para a atividade politica, que fortalece a abstenção nos atos eleitorais e que também enfraquece e fragiliza a democracia.

    Acredito na honorabilidade, verticalidade e competência de muitos políticos ou governantes que desempenham o seu cargo com competência e espírito de missão. Acredito também numa nova forma de fazer política, numa nova forma de governar. Com mais verdade, com mais transparência, com mais abertura e diálogo.

    Fazer mudar o rumo, a forma de estar na política ou de governar está ao alcance de cada um e de todos por igual, no recato e privacidade da urna no momento do voto, pelo que é tempo de avaliar e de julgar, de estar disponíveis para receber novas propostas e observar novos trilhos para mais tarde poder decidir, na certeza de que é sempre possível fazer diferente ou melhor.

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