Início Artigos de opinião Luís Paulo Alves Por uma economia de progresso na Europa

Por uma economia de progresso na Europa

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Em 2013 o desemprego na zona euro alcançou um recorde de mais de 19 milhões de desempregados, verificando-se um aumento de cerca de 1,75 milhões em apenas 12 meses. Os indicadores vão piorando rapidamente e são um sinal claro do falhanço das políticas de austeridade impostas a partir de 2010 por toda a Europa. As consequências sociais também derivam da falta de consistência dos nossos modelos, industrial e económico e um exemplo paradigmático disso é o facto de em 70 mil reestruturações de empresas se terem perdido 4,6 milhões de postos de trabalho e criado apenas 2,6 milhões.

Vivemos um período sem precedentes na nossa vida democrática. Sofremos as consequências injustas dos resultados de uma economia neoliberal desregulada imposta pelos conservadores que tem dominado a Europa e da falta de soluções e de resultados apresentados, o que nos tem conduzido à frustração, ao populismo e o crescimento do sentimento anti-política. Este é um momento decisivo para os responsáveis políticos apresentarem perspectivas que ofereçam um horizonte de esperança, construindo caminhos diferentes dos que tem sido traçados, de forma a evitar as iniquidades que hoje vivemos.

Na verdade, em oposição ao que os conservadores neoliberais têm proposto contra a crise (planos de austeridade extremos para reduzir a dívida soberana), os progressistas sublinham que é preciso agir em dois domínios para além do rigor nas contas públicas: primeiro, criando medidas coordenadas para alavancar o crescimento e a criação de emprego; segundo, criando respostas sustentáveis para enfrentar o frágil modelo económico europeu e reforçar a capacidade de fiscalização e responsabilização democráticas.  

É neste âmbito que os Socialistas Europeus lançaram a iniciativa “Economia Progressista”, com o objectivo de gerar um debate verdadeiramente público e informado, ao nível nacional e europeu, sobre política económica e social, bem como para promover activamente o pensamento progressista nestas áreas, quer ao nível politico, quer ao nível académico. A “ Economia Progressista” é uma iniciativa estruturada, composta por um conjunto de eventos que pretendem estabelecer uma visão estratégica progressista, e definir um conjunto de acções a desenvolver.

Sem debate público, sem opções políticas claras, não há democracia real. Nós assumimos, assim, o dever de lançar o debate e o diálogo com os cidadãos, porque consideramos que há escolhas fundamentais a fazer para o futuro das nossas sociedades.

Participei recentemente numa Conferência em Lisboa promovida com este propósito, integrada num conjunto de iniciativas em andamento, prevendo-se ainda a realização de um grande encontro anual. Este ano, haverão ainda iniciativas em Roma, Brighton, Bordeaux, Budapeste e Estocolmo. Em Novembro de 2012, demos apoio à publicação da primeira Análise Anual Independente do Crescimento (IAGS). A cada ano, vários institutos económicos (OFCE, IMK, ECLM) irão publicar um IAGS, fornecendo uma análise independente, detalhada, com previsões e recomendações para a economia europeia. A “Economia Progressista” apoia este trabalho que pela primeira vez oferece uma alternativa sólida para o próprio relatório de Análise Anual do Crescimento da Comissão Europeia, que forma a base para a definição anual de política económica da Europa a nível do Conselho Europeu, e das recomendações específicas a dar a cada país. Os contributos resultantes destas iniciativas serão publicados online e incidirão principalmente nas seguintes questões. “Crescimento em tempos de Crise”, “Mercados de Trabalho Progressistas”, “Sociedade Mais Igualitária” e “Economia Global Progressista”.  

 

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