Portugal defende ciência aberta na Conferência Geral da UNESCO

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O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, defendeu hoje na sede da UNESCO, em Paris, que Portugal é favorável à ciência aberta e é “líder” no reconhecimento mútuo de diplomas universitários.
“Trazemos aqui a mensagem intrínseca de a UNESCO ter que reforçar as questões da abertura do conhecimento através dos conceitos da ciência aberta ou da divulgação aberta. E trazemos três mensagens claras: abertura do acesso, participação clara de todos os cidadãos e conhecimento relevante”, afirmou o ministro em declarações à Agência Lusa.

Foi esta uma das mensagens que Manuel Heitor transmitiu no seu discurso no plenário da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que decorre até 27 de novembro.

“Quero deixar claro que Portugal apoia os esforços da UNESCO no debate ético sobre a Inteligência Artificial e o seu envolvimento na elaboração de recomendações sobre a partilha aberta do conhecimento”, disse.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior vai ainda participar hoje numa reunião ministerial que prevê a adoção da Convenção Global sobre o Reconhecimento de Qualificações do Ensino Superior. Caso esta convenção venha a ser ratificada pelos 193 países da UNESCO poderá facilitar o reconhecimento mútuo dos diplomas universitários, área em que Manuel Heitor considera que Portugal já é “líder”.

“Portugal tem sido líder no reconhecimento mútuo, privilegiando relações multilaterais no contexto da UE, mas também com os países de expressão portuguesa”, indicou ministro questionado pela Lusa, acrescentando que mesmo com este novo instrumento, estes processos “são feitos no contexto da autonomia das instituições de ensino superior” e dos regimes de acreditação internacionais.

Com a proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa a acontecer até 27 de novembro neste encontro, Manuel Heitor falou à Conferência Geral da UNESCO em português e considerou que se deve incentivar os cientistas nacionais a divulgar os seus estudos também na língua de Camões.

“Sabemos que a atividade científica é particularmente desenvolvida e promovida em inglês e continuará a ser assim, mas isso não deve evitar a formação de cientistas e o desenvolvimento de ciência noutras línguas”, afirmou o ministro.

Para reforçar este movimento, Manuel Heitor mencionou a criação do Centro para a Formação Avançada de Cientistas oriundos de países de língua portuguesa, na Fundação para a Ciência e a Tecnologia, em cooperação com a UNESCO, e ainda a organização da Conferência Europeia para as Humanidades, que vai acontecer em Portugal no primeiro semestre de 2021.

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