“Portugal está hoje mais bem preparado para as ameaças de cibersegurança”, diz ministra

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A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa afirmou que “Portugal está hoje mais bem preparado para as ameaças de cibersegurança” e afastou qualquer cenário de “alarmismo” nesta matéria.

Mariana Vieira da Silva respondia assim a um pedido de reação do PSD às declarações do professor e engenheiro informático José Tribolet, que em entrevista à Lusa apontou que “a fragilidade” dos “sistemas vitais é assustadora” em Portugal e ironizou que “com 100 mil euros e uma pequena equipa” deitava “abaixo um governo em 15 dias”.

A governante, que falava na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, no âmbito de uma audição regimental, disse que é preciso olhar para o tema da cibersegurança “com seriedade” e “sem alarmismos”.

“Portugal está hoje mais bem preparado para as ameaças de cibersegurança”, afirmou Mariana Vieira da Silva, admitindo, no entanto, que na atualidade, não há garantias a 100%.

“É certo que nunca ninguém pode dizer, no mundo em que vivemos, que há uma instituição que está completamente preparada”, mas “o que nos cabe é desenvolver todas as políticas necessárias para diminuir essa vulnerabilidade que todos temos”, sublinhou.

Mariana Vieira da silva elogiou o trabalho desenvolvido pelas “forças e serviços de segurança”, que apontou ter “sido muito eficaz”, nomeadamente na diminuição da atividade de ‘hackers’ [que acedem a informação de forma ilegal] em Portugal nos últimos anos, sendo que “todos os indicadores nesta matéria apontam para uma redução sistemática”.

“Temos condições para estar confiantes no trabalho desenvolvido” em matéria de cibersegurança, considerou a governante, apontando que Portugal tem o Centro Nacional de Cibersegurança, o Centro de Ciber Defesa operacional desde 2015 e ainda uma unidade específica na Polícia Judiciária (PJ).

Recordou que hoje e quinta-feira está a decorrer um exercício nacional de cibersegurança para testar as funcionalidades dos instrumentos existentes, bem como o que é necessário corrigir.

A ministra concluiu, afirmando que Portugal tem condições para olhar “com serenidade” para a cibersegurança, “sem entrar em alarmismo, que estando disponíveis para alguns, julgo que não estão disponíveis para os responsáveis políticos”.

Em termos de cibersegurança, “a fragilidade dos nossos sistemas vitais”, dos “sistemas críticos que fazem a sociedade funcionar é assustadora”, disse José Tribolet, em entrevista à Lusa divulgada na terça-feira.

Para “quem saiba criar perturbações”, se “em vez de criar uma perturbação, criar quatro, cinco, seis, sete e a repetir massivamente durante uma semana, não há nenhum governo que resista”, afirmou, evitando dar exemplos práticos por que “não é apropriado”, sublinhando, porém, que as forças de segurança em Portugal conhecem estes riscos.

E “é evidente que não há nenhuma medida de proteção tipo milagre de Fátima” nem para Portugal nem para os restantes países, acrescentou.

Sendo certo que este tipo de “ataques” cibernéticos “não tem nada a ver com grandes potências nem exige muito dinheiro”, pode ser feito por pequenos grupos de pessoas, o que justifica a sua frase: “Eu com cem mil euros e uma pequena equipa deito abaixo o governo deste país, em quinze dias”.

Para o professor universitário, que foi investigador no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, Portugal sofre de uma “falta de pensamento” na cibersegurança.

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