PPM acusa gabinete de fazer “manipulação” noticiosa

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A Representação Parlamentar do PPM está a desenvolver uma intensa atividade de combate às “fake news” governamentais nos Açores. A mentira e a manipulação noticiosa constituem, na nossa perspetiva, o maior perigo à sobrevivência da democracia. É preciso garantir a sobrevivência da imprensa séria e isenta numa época marcada pela facilidade com que são veiculadas informações falsas nas redes sociais.

Neste quadro, a informação veiculada pelas instituições governamentais e pela administração regional deve ser séria e credível. Não é isso que sucede atualmente. O Governo Regional faz chegar todos os dias às redações dos jornais – através do Gabinete de Apoio à Comunicação Social – informação falsa e manipulada. É por isso que a Representação Parlamentar do PPM entregou no Parlamento dos Açores uma recomendação que visa a extinção do Gabinete de Apoio à Comunicação Social.

A semana passada denunciou-se a grosseira manipulação dos resultados dos exames nacionais do ensino secundário, que foi veiculada através de uma nota do GaCS. Ontem, o Gabinete de Apoio à Comunicação Social remeteu uma nota informativa a propósito da inauguração “da Casa do Tempo do Ecomuseu do Corvo”. A referida nota informativa não contém, aparentemente, nenhuma informação falsa. No caso em apreço, a questão está na omissão de informação relevante e de cunho mais pluralista na nota informativa do GaCS.
O GaCS omite, por exemplo, que a decisão de construir um projeto museológico na ilha do Corvo resulta da aprovação de uma Recomendação que a Representação Parlamentar do PPM viu aprovada no Parlamento dos Açores em maio de 2013, conforme se pode verificar no anexo que se junta (publicação da Recomendação no Diário da República).

O GaCS também omite que o edifício onde foi instalado o Museu do Tempo do Ecomuseu do Corvo – que foi alvo de uma profunda e cara reabilitação – foi por mim doado no sentido de desbloquear a questão da inexistência de um projeto museológico na ilha do Corvo, situação que não se verificava, naquela data, em mais nenhuma ilha dos Açores.
São duas omissões relevantes, que desvirtuam a descrição factual realizada pelo GaCS. Diga-se, em abono da verdade, que nem sequer corresponde ao que sucedeu no referido evento, uma vez que o Presidente do Governo Regional fez efetivamente referência à doação no discurso que realizou.

Seja como for, o que se pretende aqui assinalar é o profundo sectarismo da informação veiculada pelo GaCS à comunicação social. O GaCS comporta-se como uma odiosa agência de propaganda governamental, que em nada difere das que mantêm muitos regimes não pluralistas por esse mundo fora. É por issoque, pelo seu sectarismo e constante manipulação dos factos no sentido de glorificar o poder governamental e omitir e mesmo criticar o papel da oposição democrática açoriana, que o GaCS não pode ser tolerado mais tempo. O GaCS constitui uma grave – e cara – anomalia no nosso sistema democrático.

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