
É com muito gosto que assumo de ora em diante esta coluna que até aqui continha as análises e opiniões do Sr. Armando Amaral, que aproveito para saudar pelo seu grande contributo e olhar sempre atento àquilo que se passa na sociedade Faialense e Açoriana com um abraço fraterno.
Aproveito também para deixar desde já a minha declaração de interesses, não que isso tolde a minha visão sobre os assuntos, ou de alguma forma me retire liberdade de pensamento, mas importa referir que sou à data presidente da comissão política de ilha do CDS-PP.
Nesta primeira intervenção gostaria de me debruçar sobre o facto do Faial ser uma ilha adiada e de estarmos em constante procrastinação. Se não vejamos, para se fazer qualquer intervenção no Faial é necessário que seja já um desejo antigo.São consultados os interessados e com pompa e circunstância apresenta-se um projecto que é unanimemente aceite. Depois fica a marinar, por falta de verbas ou à espera de um qualquer acto eleitoral para captar mais uns votos. Ficamos a ver o tempo passar e o plano, esse vai mirrando e ficando desfigurado até que é reapresentado, irreconhecível, para execução em múltiplas fases e em total desacordo com os interessados.
Chegados a esta fase aparecem os arautos do partido do poder a defender o Governo! Para estes, o Governo tomou sempre a melhor opção e aí de quem ouse dizer o contrário. Deveríamos estar eternamente agradecidos por tais investimentos.
Concretamente, no que se refere à requalificação do porto da Horta, projeto que foi apresentado em 2008 e que colheu boas opiniões das partes interessadas, deparamo-nos agora com outro projecto que já foi a concurso, o qual ficou vazio, e que nada tem que ver com o inicial! Contrariamente ao que o presidente da Portos dos Açores veio a público dizer, não conta com a concordância, neste caso direi, dos lesados. Este novo projeto foi apresentado em cima das últimas eleições regionais e não foi passível de discussão pública.
Foi também divulgado que a sua execução teria três vertentes – reordenamento do porto comercial, pela Portos dos Açores; edifício de apoio às atividades marítimo-turísticas, pela Direcção Geral do Turismo e reordenamento do Núcleo de Pescas, pela Direcção Regional das Pescas.
Pessoalmente, apesar de constatar que o Faial é a ilha em que nada acontece sem ser por fases, não me oponho a que se façam estes faseamentos, logo que isto se deva a providenciar condições para que a execução seja o mais fidedigna possível do anunciado. Não é o caso. Corremos aliás o risco de tolher irreversivelmente o porto, como aliás já aconteceu com o molhe norte.
Não seria lógico estabelecer prioridades? Não seria lógico dotar de condições dignas, em primeiro lugar, as atividades marítimo-turísticas que já são geradoras de empregos e de desenvolvimento económico?
Quanto ao Núcleo de Pescas, de que servirá o travel-lift até 75 toneladas se este não dará para varar uma embarcação de pesca? E fará sentido fazer a descarga do pescado do lado oposto à Lota?
O cúmulo desta situação é dizer-se, como chegou a titular um diário local, “Portos dos Açores está com o PS”… eu pergunto, e quando é que não esteve? Aliás, até gostaria de perceber se a Portos dos Açores por ventura tem alguma competência de planeamento, propondo soluções que vão de encontro às necessidades dos utilizadores e porque não dos objectivos do Governo, ou se se limita simplesmente a gerir infraestruturas “dadas”.
Pergunto ainda, alguém sabe se o Governo tem objetivos para esta ilha? Onde é que nos vê este Governo daqui a 20 anos com os investimentos que nos propõe? E os adidos locais, têm opinião acerca disso, contribuem para as soluções apresentadas, defendem os interesses do Faial e dos Faialenses?
Tenho para mim que infelizmente estes têm servido exclusivamente de escudo, protegendo o Governo de qualquer voz que se levante contra o que nos querem impingir.
Temo que a nossa ilha esteja a dormir na forma. Os nossos eleitos, esses só acordam quando chega a hora de defender a sua perpetuação nos lugares que ocupam.














