Programa da Semana do Mar apresentado esta manhã

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Hoje, data em que se celebra o Dia Mundial dos Oceanos, foi apresentado o programa oficial da Semana do Mar 2012. O dia escolhido foi o mesmo que o ano passado, como forma de celebrar a vocação náutica da maior festa do Faial, e São Pedro voltou a fazer das suas, brindando o Faial com um dia de chuva e nevoeiro, tal qual há um ano atrás, o que obrigou a autarquia a transferir a apresentação para os Paços dos Concelho.

Sem grandes novidades, a Semana do Mar 2012 é a prova de que a festa procura, de ano para ano, consolidar o modelo que já encontrou.

Com arranque oficial no domingo, 5 de Agosto, prolongando-se ao longo de 8 dias, a Semana do Mar conta com um aquecimento de dois dias, como também já é habitual.

Na apresentação do evento, o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH), João Castro, lembrou que a Semana do Mar “é muito mais do que uma festa”, destacando o seu impacto na economia local, pela população flutuante que traz à ilha.

 A maior festa do Faial tem “coração de Mar”

A expressão foi utilizada por João Casto para destacar a componente náutica da Semana do Mar, cujo programa é vasto, comportando modalidades como a vela ligeira, a vela de cruzeiro, o remo, a canoagem, a natação e as provas em botes baleeiros, que conferem grande dinâmica à baía. Este ano, a novidade surge no Encontro Internacional de Vela Ligeira, que pela primeira vez conta com provas na classe Access, que permite a inclusão de cidadãos portadores de deficiência.

A prestigiar a náutica faialense durante a Semana do Mar estarão as embarcações da Regata Internacional Les Sables/Les Açores/Les Sables, que sai da França a 29 de Julho, chegando ao Faial por altura da Semana do Mar, onde permanecerá até 14 de Agosto, altura em que zarpa de regresso à França.

No programa mantém-se a Expomar, que contará com a presença do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e do Observatório do Mar dos Açores, o que representa uma “ligação entre a dimensão científica e a dimensão empresarial” do mar do Faial. O certame vai, como habitualmente, partilhar um espaço na Marina com a Feira Regional de Artesanato.

João Castro aproveitou o ênfase colocado na componente náutica da Semana do Mar para salientar a dimensão que o Faial pode ganhar se privilegiar essa componente em todas as vertentes do seu carácter insular: “O Faial pode ter uma dimensão extraordinária se pensarmos que o mar que nos envolve está dentro das nossas fronteiras”, disse. 

Fernando Alvim e Cifrão no palco principal

No que respeita ao programa em terra, os cabeças de cartaz desta Semana do Mar (Áurea, Quim Barreiros e tributo a Bob Marley) eram já conhecidos. Assim sendo, na apresentação oficial do programa as novidades conhecidas para o palco principal foram os nomes do DJ Fernando Alvim e de Cifrão. A “prata da casa” também marca presença neste palco, com os faialenses Punkada e Bandarra e os micaelenses Crossfaith. No palco principal estará também um concerto conjunto das filarmónicas Unânime Praiense e União e Progresso Madalenense. Depois do sucesso do concerto conjunto da Unânime e da União Assaforense em 2011, uma iniciativa semelhante promete fazer as delícias dos apreciadores de filarmónicas, este ano no palco principal.

Ainda no palco principal haverá uma noite dedicada aos fados, com grupos faialenses e com o grupo terceirense Fado Madrinho, sendo que a noite de encerramento está a cargo da Orquestra Ligeira da CMH, como já é tradição.

Pelo palco do Largo do Infante passarão várias filarmónicas sendo que o palco da Avenida está reservado a grupos folclóricos e de cantares. Destaque para a participação de grupos folclóricos vindos da Alemanha, do México e da Bulgária. Esta presença é possível graças à colaboração com o festival COFIT, na Terceira.

Desfile passa do último para o primeiro dia

A grande novidade desta Semana do Mar é a mudança da data do corso, que este ano retoma o tema da etnografia. Ao contrário dos anos anteriores, em que o desfile se realizava no último dia de festa, em 2012 este realiza-se no dia da abertura, a partir das 20h00. João Castro justificou esta alteração pela vontade de transpor a dinâmica popular associada a este momento para o primeiro dia de festa. Recorde-se, no entanto, que no passado vários presidentes de Juntas de freguesia manifestaram o seu desagrado pelo facto do desfile se realizar sempre no último dia da Semana do Mar, o que implicava que as pessoas envolvidas passassem a festa a trabalhar nos respectivos carros. 

O cortejo náutico mantém-se no domingo, no entanto o percurso sofreu alterações, fazendo-se o desembarque da imagem de Nossa Senhora da Guia na Marina, após o cortejo náutico, seguindo-se o cortejo pedestre até à Igreja das Angústias.

Peixe e carne dos Açores em destaque na Feira Gastronómica

A Feira Gastronómica é já uma das referências da Semana do Mar. Este ano, voltam os restaurantes Charcutaria da Serra da Estrela e O Lampião, bem como o faialense Kabem Todos. O destaque vai, como reforçou João Castro, para a carne e o peixe dos Açores. Será criado um restaurante dedicado apenas ao peixe açoriano, em parceria com a APEDA, e a carne dos Açores estará em alta com a presença do restaurante picoense Júlio Steakhouse. 

Festa em tempos de crise

A Semana do Mar 2012 tem um orçamento global de cerca de 250 mil euros, menos 100 mil que em 2011. Desta verba, 120 mil euros são assegurados directamente pela CMH. João Castro reconhece que esta é uma Semana do Mar “de contenção”, como os tempos actuais exigem, e salientou a importância dos parceiros e dos patrocinadores, que contribuem com recursos e financiamento para pôr de pé a maior festa do Faial.

Numa cidade em mudança, surgem perguntas sobre o futuro da Semana do Mar quando o novo cais de passageiros da Conceição estiver concluído. Além disso, no actual cenário económico, a possibilidade da Semana do Mar passar a ter concertos pagos, como já acontece noutras festas da Região, é cada vez mais pertinente. Sobre esta questão, João Castro explicou que, para que isso venha a acontecer, é necessário um espaço adequado para receber os concertos, do qual a Horta ainda não dispõe. Além disso, “deslocalizar o palco principal implica repensar toda a festa”, pelo que, segundo o edil, e apesar dessa possibilidade estar a ser equacionada, ainda é cedo para discuti-la.

 

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