Propostas para evitar a desorientação de cagarros juvenis

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Fonte: Associação APPAA

O voluntariado ambiental nos Açores atinge o máximo de participação, anualmente, na Campanha SOS Cagarro, com o salvamento de cagarros juvenis que caem em terra, ou nas praias sem condições de levantar voo.

Ao fim de 27 anos de campanha pública e do estudo dos seus resultados, é possível tirar conclusões e propor a alteração de procedimentos.

A APPAA – Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores teve uma participação direta nesta Campanha, através dos seus associados, com sessões de esclarecimento, com a recolha e salvamento de cagarros juvenis e pelo acompanhamento e aconselhamento através da sua página nas redes sociais.

O número de salvamentos efetuados este ano foi substancialmente maior do que no último ano, resultando, em parte, do maior número de voluntários que se dedicaram à campanha. Comparando com os resultados de anos anteriores, verifica-se ainda uma maior influência da iluminação pública no número de ocorrências registadas.

O número de dias com maior número de quedas, todos os anos, é normalmente reduzido a um intervalo de quatro a seis dias. Quando esse “pico” de ocorrências coincide com a fase da lua cheia, o número de quedas é muito menor. Pelo contrário, quando aquele “pico” acontece na fase da lua nova, com noites mais escuras, a influência da iluminação artificial é muito maior, fazendo com que o número de quedas de cagarros juvenis seja também muito maior.

Aquele número de quedas está igualmente relacionado com a intensidade e a qualidade da iluminação. Nos locais onde a iluminação é mais intensa, a desorientação e o choque com as fontes de iluminação é muito maior. As experiências realizadas de apagar as luzes, sejam públicas ou privadas, durante algumas horas, em locais exageradamente iluminados, reduziram para menos de metade o número de cagarros juvenis encontrados. A qualidade da iluminação é um fator evidente, sendo a lâmpadas LED de cor branca as que têm mais impacto, mesmo em lugares mais distantes do litoral.

A APPAA dirigiu um apelo, no início da campanha, às entidades públicas e privadas para que as mesmas colaborassem na diminuição da iluminação. Atendendo a que o período crítico, ou “pico” das quedas é de meia dúzia de dias, no máximo, conclui-se que a prioridade da Campanha SOS Cagarro tem de ser a de evitar a queda que resulta num número lamentável de mortos. De forma responsável, evitar a desorientação provocada pela iluminação pública terá de ser um objetivo comum a todas as entidades, pelo que lançamos novo apelo para que, no próximo ano, seja regra, ao menos nas entidades públicas, a diminuição da iluminação no período crítico de quedas dos cagarros juvenis.

A APPAA considera que um número maior de salvamentos não pode ser um motivo de satisfação, nem um sinal de sucesso da participação pública. Pelo contrário, é um sinal de um maior número de quedas, frequentemente com consequências trágicas.

As formas de evitar pôr as aves juvenis em perigo, por responsabilidade humana, constituirá o objetivo principal da campanha, pelo que a APPAA continuará a apelar àquela, nas suas variadas formas.