
Este é um daqueles textos que esperei nunca ter de escrever. Mas “comecemos pelo começo”.
Desde há uns meses que tenho tido voz activa publicamente a contestar algumas das asneiras que se têm feito de forma irreflectida nesta terra, em particular da parte da Câmara Municipal (CMH), sobretudo a (polémica) obra no Largo do Relógio. Que haja quem não queira ou não tenha capacidade para ver o óbvio tenho pena, mas o óbvio não é a aberração estética nem a possível inutilidade do mamarracho (que será sempre discutível), o óbvio é a forma irreflectida, irresponsável e desrespeitadora como o processo foi conduzido. Já o disse, e repito, que tudo o que tenho dito (e continuarei a dizer) publicamente sobre o assunto foi precedido por comunicação fundamentada no tempo e no local certo, mas que caiu em saco roto. O artigo que aqui publiquei há duas semanas recupera essa cronologia e está lá tudo explicado. Já houve quem me tentasse descredibilizar, afirmando não acreditar no que escrevi ou disse, mas quando me ofereci para lhes enviar a documentação comprovativa calaram-se as vozes da contestação. É assim que funciona a politiquice mesquinha, a partidarice encapuzada de cidadania e a “pequenez paroquial” (citando o poema): dizem-se coisas do contra (ou, como neste caso, a favor da obra) e depois quem apresenta factos ou fundamenta o que está a dizer fica a falar sozinho. E um dos grandes problemas que temos por cá, além da inércia generalizada e do medo, é a hipocrisia de muitos, que se for preciso passam o dia a criticar “por trás”, mas quando têm a oportunidade de dizer as coisas no local certo (e de ser consequentes) não dizem nada ou, pior, elogiam o que acabaram de desprezar segundos antes e ainda insultam quem tem a coerência de dizer o que pensa (ou simplesmente de dizer a verdade). No caso do Relógio já disse o que tinha a dizer, mas não posso deixar de referir o comunicado feito pela Junta de Freguesia da Matriz no passado sábado (na sequência da inauguração do espaço por parte da CMH), no qual se afirma o que já se sabia mas ainda havia quem não acreditasse, sobre a forma prepotente como a CMH geriu a questão (e aconselho também a análise atenta do discurso feito pelo Sr. Presidente nesse momento, o qual está disponível na página de Facebook do “Município da Horta”).
E este já longo desabafo leva-me à questão que me levou a escrever este texto. Como se sabe as redes sociais (em particular o Facebook) são hoje um meio privilegiado de contacto, divulgação e interacção entre as pessoas, o que faz com que sejam uma ferramenta útil tanto à cidadania activa como à propaganda. Sabe-o bem a CMH, em cuja página já citada são constantemente anunciadas as mais recentes obras camarárias (ultimamente pródigas em alcatrão e parques infantis…), sempre profusamente acompanhadas de imagens dos (de alguns…) membros da vereação. E esta página constitui por isso um local privilegiado de contacto directo com os cidadãos, que podem comentar acerca dessas mesmas notícias e interagir entre si e com a CMH. Eu, como outros, também já lá deixei comentários, como fiz no sábado acerca da citada obra, na sequência dos quais fui inclusive insultado por qualquer cidadão “anónimo” que não se quis identificar. Qual a minha surpresa quando, na segunda-feira de manhã, vejo que os meus comentários tinham sido apagados e, mais grave, fui bloqueado da página, de modo que não posso comentar mais nada. E está lá tudo o resto, incluindo intervenções mal-educadas e brejeiras, e que, aparentemente, não constituem qualquer problema aos olhos da autarquia. A minha voz, por qualquer razão, constitui…
Depois de já ter mandado dezenas de mensagens à CMH (ao longo de meses e sobre vários assuntos) e nunca ter recebido resposta, de estar surdo de ouvir (alguns dos seus representantes publicitarem o quão estão abertos às “críticas e sugestões” e à “participação dos cidadãos” e depois ignorarem tudo e todos, de ter já por duas vezes tido membros da maioria no poder na CMH virem publicamente elogiar o meu trabalho para depois (em particular) o ignorarem e ainda me faltarem ao respeito na cara (fora o que dizem por trás…), já pouco me surpreende, mas nunca achei que fosse possível chegar ao ponto de pura e simplesmente calarem a minha voz de uma forma tão descarada como esta. Este acto é desprezível e tem apenas um nome: Censura. E isto obviamente faz-me pensar sobre quantas e quantas vozes serão todos os dias caladas nesta ilha, ao mesmo tempo que se ouvem os pregões da “lealdade” e do “compromisso” com os faialenses. Qual lealdade, qual compromisso, qual proximidade? Calando as vozes dos cidadãos??
Pois cale-se quem quiser, esta voz não se calará!
Leia-se: Constituição da República Portuguesa, disponível em <https:// www.parlamento.pt/ArquivoDocumentacao/Documents/CRPVIIrevisao.pf.
Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).














