Reflexões Crónicas: Para que servem (hoje) os jornais

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DR/TI
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Fiz nos últimos anos um levantamento dos jornais faialenses do século XIX – cujo resultado verá a luz do dia em breve –, que pretendeu acima de tudo ser um inventário de publicações, mas permitiu vislumbrar em ampla escala a realidade da nossa imprensa oitocentista, a qual evoluiu ao longo de quatro décadas e meia e era diferente do que se publicou depois. Uma das primeiras coisas que salta à vista é a informação vinda do exterior, da qual os jornais são uma fonte essencial da época, sobretudo após as ligações telegráficas, em 1893. Mas é também nos jornais, mormente nas suas primeiras décadas (1857-/1860/1870) que se sente o pulsar dos pensadores locais, muitos deles jovens (o melhor exemplo é o próprio João José da Graça – tinha apenas 20 anos quando fundou o primeiro jornal faialense), num contexto em que o país vivia a sua primeira democracia (a Monarquia Constitucional) e por todo o lado se desenvolvia o debate público (infelizmente depois interrompido com a ditadura, no século seguinte). Era nas páginas dos jornais que se debatiam os problemas locais, que se propunham soluções, se criticava de caneta bem afiada os políticos e os seus interesses, mas também se registava o pulsar da comunidade, desde os aniversários natalícios e mortes até às visitas vindas das freguesias, as idas ao Pico ou a Lisboa, os programas das festas ou a publicidade aos navios, mercearias e produtos. Devemos ainda a esses primeiros jornais textos literários e históricos de grande importância, os quais, não tivessem sido publicados, não teriam chegado até hoje, inclusive alguns muito mais antigos e cujos manuscritos entretanto se perderam (caso de poesia do século XVIII).

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